Selic deve cair de novo em novembro: veja nova projeção do mercado
03/08/2026 10:123 min de leituraAtualizado há 30 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
O mercado financeiro atualizou suas apostas sobre os rumos da taxa básica de juros e da inflação no Brasil. Segundo a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, os analistas passaram a projetar um corte adicional na Selic ainda neste ano, além do que já era esperado. Ao mesmo tempo, a estimativa de inflação para 2026 continuou caindo e já se aproxima do teto da meta oficial. Para quem administra um negócio, essas mudanças ajudam a entender para onde o custo do crédito e o poder de compra do consumidor devem caminhar nos próximos meses.
O que muda na projeção da Selic
Durante cinco semanas seguidas, o mercado vinha apostando que a Selic terminaria 2026 em 14,00% ao ano. Agora, a expectativa passou para 13,75%. Isso porque, além do corte de 0,25 ponto percentual já previsto para a reunião do Banco Central desta semana, os analistas passaram a enxergar mais uma redução da mesma proporção na reunião de novembro. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.
A leitura do mercado é de que, depois do ajuste de novembro, a taxa deve ficar estável em 13,75% até o encontro de dezembro, encerrando o ano nesse nível. Para a reunião de setembro, a projeção continua sendo de manutenção da taxa, sem novos cortes. Já para 2027, a expectativa não mudou: os juros básicos devem ficar em 12,00% ao ano.
Inflação segue em queda, mas ainda acima da meta
A projeção do IPCA para 2026 recuou pela quinta semana consecutiva, saindo de 5,12% para 5,03%. É um movimento importante porque mostra uma tendência consistente de melhora nas expectativas, mesmo que o número ainda esteja bem acima do centro da meta oficial de inflação, que é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Para os anos seguintes, as estimativas não sofreram alteração: 4,22% para 2027 e 3,80% para 2028. Ou seja, mesmo com a melhora recente, o mercado ainda não vê a inflação retornando ao centro da meta no curto prazo, o que reforça a importância de manter o planejamento financeiro da empresa preparado para um cenário de preços ainda pressionados, ainda que em trajetória de desaceleração.
PIB e o que isso significa para o seu negócio
No campo da atividade econômica, a estimativa de crescimento do PIB para este ano permaneceu em 1,99%, sem mudanças. Já para 2027, houve uma revisão para baixo, de 1,60% para 1,57%. É uma diferença pequena, mas que confirma um cenário de crescimento moderado para os próximos anos, sem grandes surpresas para cima.
Na prática, um corte adicional na Selic tende a reduzir, ainda que gradualmente, o custo de financiamentos e linhas de crédito para empresas, o que pode facilitar investimentos e capital de giro ao longo de 2027. Ao mesmo tempo, a inflação mais próxima de 5% ainda exige atenção redobrada na formação de preços, negociação com fornecedores e reajustes de contratos, já que o custo de vida do consumidor continua pressionado, mesmo com sinais de melhora.
Para o empresário, o recado é de cautela otimista: os juros devem continuar caindo de forma lenta, a inflação segue em trajetória de queda, mas o crescimento da economia não deve acelerar de forma expressiva no curto prazo. Vale acompanhar de perto as próximas divulgações do Focus e as decisões do Banco Central para ajustar o planejamento financeiro, o fluxo de caixa e as estratégias de investimento da sua empresa conforme esse cenário evoluir.
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