Selic a 14%: por que bancos pedem mais cortes de juros
06/08/2026 16:223 min de leituraAtualizado há 27 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
A Selic caiu 0,25 ponto percentual nesta semana, chegando a 14% ao ano, e o movimento já gerou reação direta de dois dos executivos mais influentes do setor financeiro brasileiro. Marcelo Noronha, presidente do Bradesco, e Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú Unibanco, defenderam publicamente que o Banco Central siga cortando os juros, argumentando que o atual nível da taxa real está alto demais e já vem prejudicando empresas e famílias endividadas.
Para quem administra um negócio no Brasil, esse debate não é apenas teoria econômica. Taxa de juros alta significa crédito mais caro, menos disposição dos bancos para emprestar e mais pressão sobre quem já está endividado. Por isso, a fala dos dois banqueiros chama atenção: são justamente as instituições que emprestam dinheiro reconhecendo que o custo atual do crédito está pesando negativamente sobre a economia real.
O que disseram os presidentes dos bancos
Noronha foi direto ao afirmar que a política monetária já produziu o efeito esperado, controlando a inflação, e que não vê motivo para o Comitê de Política Monetária (Copom) não continuar reduzindo a taxa. Segundo ele, o próprio Banco Central tem sido conservador até na forma de comunicar suas decisões. O executivo do Bradesco destacou ainda que juros elevados por muito tempo machucam especialmente empresas que já operam com margens reduzidas e dívidas pesadas, o que não é positivo para o mercado de crédito como um todo.
Já Maluhy, do Itaú, foi além e defendeu que o Brasil precisa trabalhar para levar as taxas de juros a um dígito, criando condições estruturais para que o crédito fique mais barato no longo prazo. Para ele, juros altos prejudicam todo mundo: desaceleram a atividade econômica, travam investimentos das empresas e pesam no orçamento das famílias. O executivo reforçou que, quando os juros ficam elevados por período prolongado, a pressão sobre a economia, a atividade produtiva e o endividamento se intensifica, tanto para negócios quanto para consumidores.
Por que isso importa para o seu negócio
Ambos os executivos mencionaram um ponto que preocupa diretamente empresários e gestores: o comprometimento de renda das famílias segue elevado, e o mercado de crédito, como um todo, está mais restritivo. Na prática, isso significa que empresas que dependem de financiamento para capital de giro, expansão ou renegociação de dívidas encontram um cenário mais difícil, com bancos mais cautelosos e custos de empréstimo mais altos.
Se a Selic realmente continuar caindo, como sugerem os dois banqueiros, o efeito esperado é uma redução gradual no custo do crédito, o que pode facilitar a tomada de empréstimos, financiamentos e linhas de capital de giro para empresas de todos os portes. Por outro lado, enquanto isso não se confirma, o cenário atual ainda exige cautela na gestão financeira do negócio.
Como se preparar
Diante desse quadro, vale a pena revisar o planejamento financeiro da empresa considerando que a taxa de juros ainda está em nível elevado, mesmo após o corte. Isso inclui reavaliar contratos de dívida, negociar condições com instituições financeiras e evitar comprometer demais o fluxo de caixa com operações de crédito caras enquanto o cenário não se estabiliza de forma mais favorável.
O discurso dos presidentes do Bradesco e do Itaú sinaliza uma expectativa de continuidade nos cortes da Selic, mas o próprio Banco Central deixou os próximos passos em aberto, reforçando que manterá a postura necessária para garantir que a inflação convirja à meta. Por isso, o recomendável é acompanhar de perto as próximas decisões do Copom e ajustar a estratégia financeira da empresa conforme o custo do crédito evoluir, sem antecipar decisões baseadas apenas em expectativas do mercado.
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