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Seca no Brasil: o que a COP17 discute e o impacto para empresas do agro

16/08/2026 12:293 min de leituraAtualizado há 17 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A seca deixou de ser um problema restrito a regiões áridas e hoje afeta todas as cinco regiões do Brasil, com impacto direto sobre agricultura, abastecimento de água e geração de energia. O tema entra em pauta na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que começa nesta segunda-feira (17) na Mongólia e vai até 28 de agosto. Para empresários, especialmente do agronegócio, energia e logística, entender esse cenário ajuda a antecipar riscos de custos, quebra de safra e instabilidade no fornecimento.

O que muda

A discussão internacional caminha para um foco mais preventivo: em vez de agir só quando a emergência já está instalada, os países vão debater monitoramento permanente, sistemas de alerta antecipado e recuperação de áreas degradadas. O Brasil participa da conferência integrando a Aliança Internacional para a Resiliência à Seca desde 2024, iniciativa que busca ampliar investimentos em monitoramento climático e gestão de recursos hídricos. Na prática, isso pode significar mais políticas públicas voltadas à prevenção, o que interessa diretamente a quem depende de água e clima estável para produzir.

O quadro no país já é preocupante. Em julho, pelo menos 157 municípios brasileiros estavam em situação de seca severa, com solo mais seco, estresse na vegetação e perdas na agricultura. Segundo o Cemaden, a tendência é de agravamento nos próximos meses, já que a redução das chuvas combinada ao aumento das temperaturas amplia o desequilíbrio climático em várias regiões.

Seca em números
157municípios em seca severaDado de julho de 2025, segundo o Monitor de Secas (ANA).
30%aumento das secas desde 2000Crescimento global registrado pela UNCCD.
40%déficit de água previsto para 2030Demanda mundial deve superar a oferta nesse patamar.
275 milhõespessoas em insegurança alimentarProjeção do PMA com seca somada ao El Niño, ante 225 milhões atuais.

Quem é afetado

O impacto não se limita ao Semiárido, historicamente mais vulnerável. A Amazônia, região associada à fartura de água, tem mostrado agravamento expressivo: o número de territórios indígenas em seca severa passou de três em junho para 17 em julho, e as áreas de seca extrema em assentamentos rurais saltaram de duas para 44 no mesmo período. Estados como Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram boa parte desse avanço, com reflexos sobre transporte fluvial, abastecimento de alimentos e acesso a recursos naturais para comunidades tradicionais.

O fenômeno também preocupa fora do Brasil. Europa, países africanos como Sudão, Etiópia, Zâmbia e Madagascar, além de regiões do Oriente Médio e da Ásia, registram secas mais intensas. Para negócios que dependem de cadeias internacionais de commodities agrícolas ou energia, esse cenário global reforça a necessidade de monitorar riscos climáticos em diferentes mercados, não só no Brasil.

Um fator que aumenta a atenção é a chamada seca-relâmpago, fenômeno em que temperaturas sobem rápido e a umidade do solo cai de forma acelerada, causando perdas em poucos dias ou semanas e elevando o risco de incêndios. Some-se a isso a previsão de fortalecimento do El Niño entre agosto e outubro, que deve reduzir chuvas principalmente no Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste do Brasil, ampliando a vulnerabilidade a secas prolongadas e queimadas.

Como se preparar

Para empresas do agronegócio, energia, água e logística, o momento pede atenção redobrada ao planejamento hídrico e climático. Produtores rurais podem revisar calendários de plantio considerando a possibilidade de estiagem mais longa, enquanto empresas que dependem de energia hidrelétrica ou transporte fluvial devem monitorar de perto os alertas de órgãos como o Cemaden e a ANA. Negócios ligados à cadeia de alimentos também precisam ficar atentos a possíveis oscilações de oferta e preço de insumos agrícolas, um reflexo direto da instabilidade climática que já atinge diferentes regiões produtoras do país.

A GL Inteligência Contábil acompanha esses movimentos para ajudar sua empresa a entender como fatores externos, incluindo riscos climáticos, podem impactar planejamento financeiro, custos e resultados. Se o seu negócio depende de água, energia ou produção agrícola, vale conversar com nossa equipe para avaliar cenários e ajustar o planejamento do próximo período.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.