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28/07/2026 05:00· 4 min de leitura· Curiosidades
Atualizado há 1 hora

“Se Você Tem Medo de Fracassar, Já Fracassou”: as Lições do cofundador do Waze para Quem Quer Criar um Unicórnio

“Se Você Tem Medo de Fracassar, Já Fracassou”: as Lições do cofundador do Waze para Quem Quer Criar um Unicórnio
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O israelense Uri Levine construiu dois unicórnios a partir de uma irritação pessoal com o trânsito: o Waze, vendido ao Google em 2013 por 1,1 bilhão de dólares, e o Moovit, adquirido pela Intel em 2020 por 1 bilhão de dólares. Agora ele decidiu transformar essa experiência em ensino e escolheu o Brasil, e não Estados Unidos ou Israel, para lançar a Uri Levine Startup Academy, plataforma que estreia em cerca de um mês com a meta de treinar 100 mil empreendedores. Para quem administra um negócio, mesmo fora do universo das startups, as lições que ele traz valem como um teste prático de gestão: elas ajudam a entender por que produtos, serviços e até processos internos fracassam quando a empresa se apaixona mais pela própria solução do que pelo problema do cliente.

A escolha do Brasil não é apenas afetiva. Segundo Levine, quando o Waze chegou ao país, em 2011, não havia nenhum unicórnio brasileiro e a América Latina tinha apenas um, o Mercado Livre. Hoje a região já passa de 50, com nomes como Nubank, Stone e Ifood. Na leitura dele, o ecossistema brasileiro amadureceu rápido demais e agora precisa de estrutura para ensinar a si mesmo, o que explica a aposta na academia por aqui.

A tese central: apaixone-se pelo problema

O ponto de partida de Levine, que virou best-seller com o livro "Apaixone-se pelo problema, não pela solução", é simples de enunciar e difícil de praticar: startups não quebram por falta de boas ideias, quebram porque os fundadores se apegam à solução que criaram e perdem a obsessão pelo problema que deveriam resolver. Para ele, o value real de um produto não está na cabeça de quem o criou, mas na cabeça de quem o usa. Se o cliente não volta a usar aquilo que você oferece, não importa quão elegante seja a solução: ela não está gerando valor.

É por isso que Levine trata a retenção como a métrica que decide o destino de um negócio, muito mais do que crescimento acelerado. Uma empresa pode crescer em número de clientes e, ainda assim, estar condenada se esses clientes não permanecem. Para gestores de qualquer porte, o recado prático é direto: antes de investir em aquisição de clientes ou em expansão, vale medir se quem já compra ou usa o serviço continua voltando. Sem esse retorno, o problema não foi resolvido de verdade.

Fracassar rápido como parte do processo

Outro ponto que Levine reforça na entrevista é a relação saudável com o fracasso. Na visão dele, construir uma empresa é uma jornada de tentativa e erro, e quem tem medo de fracassar já fracassou, porque isso o impede de tentar. O conselho prático é esperar que os erros aconteçam e, principalmente, buscar que eles aconteçam rápido, porque um fracasso rápido ainda deixa tempo para corrigir a rota e tentar de novo. Para empresários que hesitam em testar um novo produto, um novo canal de vendas ou uma mudança de processo, essa lógica ajuda a reduzir o peso psicológico da decisão: o risco de tentar e errar cedo costuma ser menor do que o de não tentar.

Levine também é direto sobre quando desistir de um negócio: segundo ele, isso só faz sentido quando o problema que a empresa resolve deixa de existir. Fora dessa situação, ele recomenda perseverança. Sobre entraves comuns ao ambiente de negócios no Brasil, como juros altos ou burocracia, ele defende que não devem ser usados como desculpa para não empreender, pois fazem parte do cenário que qualquer fundador precisa enfrentar.

Onde estão as próximas oportunidades

Um ponto que interessa diretamente a quem pensa em investir ou expandir negócios é a leitura de Levine sobre onde devem surgir os próximos unicórnios brasileiros. Segundo ele, o setor financeiro já resolveu boa parte dos problemas mais evidentes, mas ainda há espaço em previdência e planejamento de aposentadoria. As apostas mais fortes, porém, estão em setores ainda pouco digitalizados: agricultura, educação e saúde. Ele também comenta sobre inteligência artificial, e o recado é claro: quem não usa IA para ganhar produtividade tende a perder espaço para concorrentes que já usam. Na visão dele, a IA não elimina a vantagem competitiva das empresas, apenas desloca essa vantagem da tecnologia em si para os dados exclusivos e o conhecimento profundo do cliente, algo que qualquer negócio, inclusive prestadores de serviço e escritórios, pode levar em conta ao pensar em diferenciação.

Para o empresário brasileiro, a chegada da Uri Levine Startup Academy é um convite a revisar a própria gestão com um filtro simples: o negócio está resolvendo um problema real e mensurável, ou está apenas defendendo uma solução da qual o dono gosta? Medir retenção, testar rápido e aceitar o erro como parte do caminho são práticas que valem tanto para quem sonha com um unicórnio quanto para quem toca uma empresa de médio porte e busca crescer de forma mais sólida.

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