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Santa Catarina: os gargalos que o próximo governador vai precisar enfrentar

01/10/2026 05:005 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem empresa em Santa Catarina, provavelmente já sentiu na pele dois lados da mesma moeda: de um lado, um estado com economia pujante, baixíssimo desemprego e setores como agroindústria e metalmecânica batendo recordes de exportação; de outro, dificuldade para contratar, custo de vida disparado nas cidades mais procuradas e estradas que encarecem o frete. Esses não são problemas isolados: são os principais desafios que especialistas apontam como prioridade para quem assumir o governo do estado, e que têm impacto direto no dia a dia de quem produz, vende ou presta serviço por lá.

Uma economia forte, mas com rachaduras

Santa Catarina tem um Produto Interno Bruto que passou de R$ 500 bilhões em 2023, o que faz do estado a sexta maior economia do país. A taxa de desemprego no segundo trimestre de 2026 foi de apenas 2,1%, bem abaixo da média nacional de 5,4%. Na prática, isso significa um mercado consumidor aquecido e mão de obra em pleno emprego, mas também significa que encontrar funcionário está cada vez mais difícil e caro para quem precisa contratar.

Especialistas ouvidos destacam três frentes que travam a continuidade desse crescimento: a falta de infraestrutura de transporte que conecta o interior aos portos, a desigualdade entre o litoral rico e o interior mais carente, e a dificuldade de atrair e manter trabalhadores qualificados por causa do alto custo de vida nas cidades mais dinâmicas. Se você depende de logística, de mão de obra qualificada ou de um mercado consumidor estável, esses três pontos merecem atenção no seu planejamento de médio prazo.

O custo de morar e trabalhar no litoral

Um dos pontos mais sensíveis para quem tem negócio nas cidades litorâneas é o descolamento entre o valor dos imóveis e a renda real da população. Em Florianópolis, estima-se que uma pessoa precise de cerca de R$ 8,2 mil mensais para viver com razoabilidade, e uma família de quatro pessoas, de R$ 16,6 mil, com o metro quadrado passando de R$ 13 mil. Em Balneário Camboriú, o custo mensal gira em torno de R$ 7,4 mil, e em Joinville, cerca de R$ 5 mil. Isso ajuda a explicar por que profissionais como professores, enfermeiros, garçons e operários estão sendo empurrados para cidades vizinhas, obrigando empregadores a "importar" diariamente a mão de obra que a cidade não consegue mais hospedar.

Custo de vida mensal estimado por cidade
R$ 8,2 milFlorianópolis (1 pessoa)metro quadrado já passa de R$ 13 mil na capital.
R$ 7,4 milBalneário Camboriúcusto mensal estimado para viver na cidade.
R$ 5 milJoinvillecusto mensal mais baixo entre as cidades citadas.

Para quem gerencia equipe, esse cenário é um alerta: reter talentos vai exigir mais do que salário competitivo, passa também por entender onde seus funcionários conseguem morar e como isso afeta a rotina e a produtividade deles. Empresas que dependem de operários, técnicos ou atendentes no litoral catarinense já sentem esse aperto na hora de contratar e manter equipe.

Logística: o desafio de tirar a produção do interior

No Oeste catarinense, onde está concentrada boa parte do agronegócio e da agroindústria, o problema é outro: a falta de ferrovias e a sobrecarga das rodovias encarecem o transporte de cargas. Em muitos casos, é mais barato e rápido escoar produção pelos portos do Paraná ou do Rio Grande do Sul do que pelos terminais catarinenses de Itajaí, Navegantes ou Imbituba. Segundo estimativa da Fiesc, o estado precisaria investir R$ 57 bilhões em infraestrutura de transportes até 2029, sendo cerca de R$ 40 bilhões em rodovias, quase R$ 10 bilhões em ferrovias e R$ 4,9 bilhões em transporte aquaviário, incluindo portos. Se sua empresa depende de frete rodoviário para escoar produção, esse é um custo que tende a continuar pesando enquanto obras como a duplicação da BR-470 e os avanços da BR-282 seguem sem prazo definido.

Apesar desse gargalo logístico, o agronegócio catarinense vive um momento de recorde: nos primeiros sete meses do ano, o estado superou 1,24 milhão de toneladas e US$ 2,84 bilhões em exportações de carnes, com destaque para frango e suínos vendidos a mercados como Japão, Arábia Saudita, Países Baixos e China. Santa Catarina respondeu por 51,3% da receita brasileira com exportação de carne suína e 24,7% na carne de frango no período. Para quem está nessa cadeia produtiva, o recado dos especialistas é que previsibilidade regulatória, rastreabilidade digital e abertura de novos mercados serão decisivos para sustentar esse desempenho diante de riscos como tarifas externas e eventos climáticos.

Falta de mão de obra qualificada é risco para o futuro

Outro ponto que merece atenção de quem planeja expandir o negócio é a formação da próxima geração de trabalhadores. Um levantamento da CNI estima que Santa Catarina precisará qualificar 953,4 mil trabalhadores entre 2025 e 2027, sendo 151,1 mil em formação totalmente nova e 802,3 mil em atualização de competências. Isso mostra que a escassez de mão de obra não é só uma questão de pleno emprego, mas também de descompasso entre a formação oferecida e o que a indústria catarinense, de perfil técnico e industrial, realmente precisa.

Esse descompasso aparece nos indicadores de educação: a nota do ensino médio catarinense no Ideb foi de 4,5 em 2023, contra 4,2 em 2021, uma leve melhora na rede pública. Já a rede privada caiu de nota 6 para 5,8 no mesmo período. Para empresas que precisam de engenheiros, técnicos, programadores e soldadores, essa lacuna de formação pode se tornar um limitador de crescimento nos próximos anos, especialmente porque o

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