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Salários no agro em 2027: quem ganha mais e por que reajustes vão travar

20/10/2026 17:264 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você administra uma empresa do agronegócio ou depende desse setor para fazer negócios, um dado novo merece atenção: mais da metade dos empregadores do agro já decidiu que não vai dar aumentos salariais além do mínimo exigido por lei ou acordo coletivo em 2027. É o que mostra o Guia Salarial 2027, pesquisa da consultoria Michael Page divulgada em São Paulo, que ouviu quase 6 mil profissionais e cerca de 2 mil empresas de 15 setores da economia.

O cenário é paradoxal: ao mesmo tempo em que os salários de gestores no topo da pirâmide seguem elevados, em alguns casos chegando a R$ 60 mil mensais, a maioria das empresas do agro sinaliza que vai segurar o orçamento de pessoal. Isso tem impacto direto em como você vai planejar contratações, retenção de talentos e reajustes no próximo ano, especialmente se sua empresa depende de gestores qualificados para tocar operações agrícolas ou industriais.

O que muda

Segundo o levantamento, 56% das empresas do agronegócio não pretendem conceder aumentos além dos percentuais obrigatórios em 2027, o maior índice entre todos os 15 setores pesquisados. Além disso, 55% dos empregadores colocam a otimização de estruturas e equipes como prioridade para o próximo ano. Na prática, isso significa menos espaço para expansão de equipes e mais pressão para fazer mais com o time que já existe.

Enquanto isso, os salários no topo da hierarquia gerencial seguem altos nas grandes empresas. O gerente agrícola corporativo lidera o ranking, com teto de R$ 60 mil mensais, seguido pelo gerente industrial (R$ 58 mil) e pelos gerentes agrícola e de qualidade (R$ 55 mil cada). É importante notar que esses valores representam o teto da faixa salarial em empresas de grande porte, não a média geral recebida pelos profissionais.

CargoTeto salarial mensal (grandes empresas)
Gerente agrícola corporativoR$ 60 mil
Gerente industrialR$ 58 mil
Gerente agrícolaR$ 55 mil
Gerente de qualidadeR$ 55 mil
Gerente de manutençãoR$ 50 mil
Gerente de pesquisa e desenvolvimentoR$ 50 mil
Gerente de melhoria contínuaR$ 45 mil
Gerente de produçãoR$ 42 mil
Gerente de fazendaR$ 42 mil
Gerente de SSMAR$ 40 mil

Quem é afetado

O impacto recai principalmente sobre empresas que empregam gestores em funções ligadas à operação direta do negócio, como gerentes de fazenda, agroindústrias e áreas técnicas. Essas posições costumam estar distantes dos centros urbanos e das sedes administrativas, o que aumenta a responsabilidade dos gestores locais na condução das equipes e dos resultados.

Outro ponto que merece sua atenção como gestor é a questão da liderança. A pesquisa mostra que 94% dos profissionais do agro afirmam que a relação com o chefe direto influencia suas decisões de carreira, e 64% considerariam deixar o emprego por causa de uma liderança desmotivadora, o maior percentual entre os setores avaliados. Apesar disso, apenas 2% das empresas do agro apontam a liderança inspiracional como principal estratégia para reter funcionários; a maioria aposta em cultura organizacional (29%) e salários acima da média (18%).

A tecnologia também entra nessa equação de forma desigual. Embora 95% dos profissionais do agro enxerguem benefícios no uso de inteligência artificial no trabalho, apenas 15% das empresas oferecem acesso amplo a essas ferramentas, e só 9% consideram o conhecimento em IA um critério relevante na contratação. Ao mesmo tempo, 60% dos trabalhadores acreditam que dominar essa tecnologia deveria significar salário diferenciado, uma distância que ainda não se traduziu em política de remuneração nas empresas consultadas.

Como se preparar

Diante desse cenário de orçamento apertado, a recomendação que surge da pesquisa é investir em gestão e relacionamento, não apenas em dinheiro. Como destaca o diretor executivo da Michael Page Brasil, clareza sobre plano de carreira, reconhecimento e uma boa relação entre gestor e equipe podem fazer diferença justamente quando não há margem para aumentar salários.

Se você lidera uma empresa do agronegócio, vale revisar como está a comunicação entre gestores e equipes, mapear se há demanda reprimida por desenvolvimento profissional e avaliar com cuidado onde faz sentido investir em capacitação tecnológica, já que o descompasso entre o que os profissionais esperam e o que as empresas oferecem em IA tende a crescer. Antecipar essas mudanças pode custar menos do que lidar com alta rotatividade em posições-chave no próximo ano.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.