Safra de soja 2026/27 deve bater recorde; milho tem exportação menor
01/10/2026 16:214 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se o seu negócio depende do agronegócio, seja na produção, no comércio ou na prestação de serviços para o setor, há boas notícias e pontos de atenção na nova projeção da safra brasileira de grãos. A consultoria StoneX estimou que a safra de soja 2026/27, ainda em fase de plantio, deve chegar a 183,36 milhões de toneladas, um recorde histórico, praticamente igual à previsão do mês anterior. Já a exportação de milho deve cair neste ano-safra, afetada pela concorrência da Argentina e por outros fatores de mercado.
O que muda
A produção de soja prevista para 2026/27 representa um crescimento de 0,4% em relação ao ciclo anterior. Segundo a StoneX, o plantio está acontecendo com normalidade na maior parte das regiões produtoras, o que reduz preocupações com o calendário da segunda safra, aquela plantada depois da colheita da soja, geralmente usada para milho. Apesar disso, a própria consultoria alerta que o clima, tanto chuva quanto temperatura, ainda será decisivo nos próximos meses para confirmar esse resultado.
No caso do milho da primeira safra, a estimativa para 2026/27 ficou estável em 29,3 milhões de toneladas, um avanço de 2,4% sobre o ciclo passado. O destaque fica por conta do Rio Grande do Sul, que deve ampliar a área plantada e contar com boas condições climáticas. O Estado é o principal produtor de milho de primeira safra no país e vem recebendo chuvas intensas nesta primavera, o que favorece a produtividade esperada.
Quem é afetado
Produtores rurais, cooperativas, tradings, transportadoras e empresas que compram ou vendem insumos agrícolas sentem diretamente o efeito dessas projeções. Uma safra recorde de soja tende a pressionar os preços para baixo, o que exige planejamento financeiro mais cuidadoso por parte de quem vende a produção. Já quem compra grãos como matéria-prima, como indústrias de ração e processamento, pode se beneficiar de uma oferta maior.
No caso do milho, a situação é diferente. A StoneX reduziu a estimativa de exportações brasileiras no ano-safra 2025/26 para 40 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas a menos que a previsão anterior. Isso significa que o Brasil deve exportar menos milho do que no ciclo passado, quando embarcou 41,6 milhões de toneladas. Para empresas ligadas à logística portuária, armazenagem e comércio exterior de grãos, essa queda no ritmo de embarques é um sinal de que o mercado está mais competitivo e exige atenção redobrada aos preços e prazos.
Segundo o analista da StoneX Raphael Bulascoschi, a revisão para baixo nas exportações de milho reflete três fatores: a maior competitividade da Argentina, que colheu uma safra recorde; preços menos atrativos nos portos brasileiros; e um consumo doméstico mais elevado. Esse cenário deve resultar em estoques finais maiores de milho no Brasil, elevando a relação entre estoque e consumo para 20,85%, segundo a consultoria.
Na prática, isso significa que o país deve começar o próximo ano-safra, 2026/27, com um colchão maior de milho disponível: os estoques iniciais devem subir para 28,57 milhões de toneladas, contra 22,87 milhões no ciclo anterior. Esse volume maior ajuda a garantir o abastecimento interno no primeiro semestre do próximo ano, o que pode significar mais estabilidade de preços para quem compra milho como insumo, como indústrias de ração animal e produtores de proteína animal.
Como se preparar
Se você trabalha com soja, vale acompanhar de perto as condições climáticas nos próximos meses, já que a própria StoneX reconhece que chuva e temperatura ainda podem alterar o resultado final da safra. Para quem lida com milho, o cenário de menor exportação e maior estoque interno pode representar uma oportunidade de negociação mais vantajosa para compradores domésticos, mas também exige atenção à concorrência externa, especialmente da Argentina, que tem ganhado espaço no mercado internacional. Em ambos os casos, manter contato próximo com cooperativas, consultorias agrícolas e seu contador ajuda a ajustar o planejamento financeiro e tributário conforme esses números evoluem ao longo da safra.
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