Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se o seu negócio tem alguma relação com o setor sucroalcooleiro, seja como fornecedor, cliente ou parceiro de usinas, vale prestar atenção em um movimento recente no mercado de açúcar. A consultoria Czarnikow deve elevar sua estimativa de produção de açúcar do centro-sul do Brasil na safra 2026/27 para uma faixa entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas. A revisão é resultado direto de uma valorização expressiva nos preços da commodity nas últimas semanas, o que está levando usinas a repensar suas estratégias de produção.
O que está mudando
Até pouco tempo atrás, a própria Czarnikow trabalhava com uma projeção mais conservadora, de 38,5 milhões de toneladas. A mudança de rota aconteceu porque o preço do açúcar disparou no mercado internacional: segundo a consultoria, a cotação subiu cerca de 300 pontos em apenas 15 dias, com nova alta de 50 pontos sendo registrada agora. Esse movimento torna a produção de açúcar mais atrativa financeiramente do que a fabricação de etanol, o que tende a mudar o comportamento das usinas na reta final da safra.
Na prática, isso significa que as usinas devem direcionar uma fatia maior da cana-de-açúcar para a produção do adoçante, em vez do etanol. Segundo a consultoria, esse ajuste de rota, conhecido no setor como mudança de mix, ainda é viável nesta safra, especialmente entre usinas localizadas em estados de fronteira agrícola, como Mato Grosso do Sul e Goiás, que têm mais flexibilidade para adaptar sua produção nas semanas seguintes.
Quem é afetado por essa alta de preços
O movimento interessa diretamente a usineiros, produtores rurais que fornecem cana, tradings, distribuidoras e empresas que compram açúcar como insumo, como indústrias de alimentos e bebidas. Para quem vende açúcar, a alta de preços é uma boa notícia, pois melhora a margem de negócios já fechados e abre espaço para renegociações mais vantajosas. Já para quem compra a commodity como matéria-prima, o momento pede atenção redobrada ao planejamento de compras e à formação de estoques, já que o cenário de preços em alta pode se manter ou até se intensificar nos próximos meses.
Segundo o diretor da Czarnikow, Pedro Mizutani, a principal causa do movimento recente foi uma notícia sobre a Índia, um dos maiores produtores mundiais de açúcar: o país pode importar cerca de 1 milhão de toneladas do produto, o que reduz a oferta disponível no mercado global e pressiona os preços para cima.
Um risco climático ainda no radar
Além da questão de preços, há um fator de atenção para os próximos meses: a possibilidade de um El Niño entre setembro e novembro, o que poderia trazer excesso de chuvas ao centro-sul do país. Esse cenário prejudicaria a etapa final da safra atual e também reduziria as chuvas no início de 2027, período fundamental para o desenvolvimento da próxima colheita de cana. Segundo Mizutani, o mercado ainda não precificou totalmente esse risco, o que significa que, se o cenário climático se confirmar, novas altas nos preços do açúcar podem ocorrer.
Para empresários que dependem direta ou indiretamente do setor, o recado prático é claro: vale acompanhar de perto tanto a evolução dos preços quanto as previsões climáticas para os próximos meses. Quem compra açúcar como insumo pode considerar antecipar negociações e revisar contratos, enquanto produtores e usinas têm uma janela de oportunidade para ajustar sua produção e aproveitar o momento favorável de preços, sempre com cautela diante da incerteza climática que ainda paira sobre a próxima safra.
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