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Robôs humanoides: quantos já foram vendidos e por que isso importa agora

21/09/2026 16:504 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você tem acompanhado as notícias sobre robôs humanoides correndo, praticando boxe e fazendo tarefas parecidas com as de um trabalhador humano, pode ter a impressão de que essa tecnologia já está espalhada pelo mundo. Mas um levantamento inédito da Federação Internacional de Robótica (IFR) mostra outra realidade: apenas cerca de 7.000 robôs humanoides foram vendidos no mundo todo no último ano para uso industrial e em serviços profissionais. É um número pequeno, especialmente se comparado ao entusiasmo e aos investimentos bilionários que o setor vem atraindo.

Para efeito de comparação, esse total é uma fração mínima diante dos robôs que já fazem parte do dia a dia das empresas. Segundo a mesma entidade, cerca de 542 mil robôs industriais comuns (aqueles usados em linhas de produção, sem formato humano) foram instalados em 2024, além de outros 199 mil robôs de serviço vendidos para setores como transporte, hotelaria e limpeza. Ou seja: os humanoides ainda representam uma parcela muito pequena do mercado real de automação.

O que conta como robô humanoide

Segundo os critérios adotados pela IFR, para um robô ser classificado como humanoide ele precisa ter aparência parecida com a de um humano e operar de forma autônoma em ambientes pensados para pessoas, como fábricas, escritórios ou lojas. Não é obrigatório que o robô tenha pernas: o que define a categoria é a capacidade de atuar de forma independente nesses espaços, e não necessariamente a semelhança física completa.

Robôs no mundo: humanoides x demais tipos (2024)
7 milrobôs humanoides vendidospara uso industrial e em serviços profissionais.
542 milrobôs industriais comunsinstalados no mesmo período.
199 milrobôs de serviçovendidos para transporte, hotelaria e limpeza.

Outro ponto importante para quem avalia investir nessa tecnologia: segundo a secretária-geral da IFR, Susanne Bieller, boa parte dos robôs humanoides vendidos não estava, de fato, realizando trabalho produtivo. Muitas unidades foram compradas por instituições de pesquisa ou empresas que as utilizam para gerar dados e treinar modelos de inteligência artificial, e não para substituir tarefas em produção. Mesmo entre as montadoras, que estão entre as pioneiras na adoção desses robôs, os projetos ainda são pilotos com poucas unidades por fábrica, geralmente na casa das dezenas.

Por que isso importa para o seu negócio

Se você é empresário ou gestor e vem sendo bombardeado por notícias sobre a "revolução dos robôs humanoides", os números da IFR servem como um alerta prático: a tecnologia ainda está em estágio inicial de adoção real, mesmo com toda a expectativa de crescimento acelerado, sobretudo na China, hoje o maior mercado mundial de robôs industriais. Isso não significa que o tema deva ser ignorado, mas sim que decisões de investimento pesado nessa tecnologia específica ainda merecem cautela, já que grande parte do mercado está em fase de testes e pesquisa, não de aplicação comercial madura.

Vale lembrar que essa é a primeira vez que a IFR passa a coletar dados específicos sobre robôs humanoides, separadamente das estatísticas, muito maiores, sobre robôs industriais e de serviço que a entidade já acompanha há três décadas. Isso mostra que o próprio setor está apenas começando a organizar e medir esse mercado de forma consistente, o que reforça a ideia de que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas sobre o ritmo de adoção.

Há, no entanto, projeções de crescimento expressivo para os próximos anos: estimativas da Bank of America Global Research apontam para 90 mil robôs humanoides entregues neste ano e 1,2 milhão até 2030. Se essas projeções se confirmarem, o cenário pode mudar rapidamente, e empresas que acompanham de perto a evolução da automação podem se beneficiar ao entender, desde já, como essa tecnologia funciona e em que tipo de operação ela pode fazer sentido no futuro.

Na prática, o recado para quem gere um negócio é: acompanhe o tema, mas sem pressa para investir pesado agora. Os números atuais mostram que humanoides ainda são exceção, não regra, dentro do universo da robótica aplicada às empresas. A automação que já entrega resultado comprovado continua sendo a dos robôs industriais e de serviço tradicionais, que somam centenas de milhares de unidades em operação, contra apenas milhares de humanoides. Ficar de olho nos próximos relatórios do setor, inclusive os novos dados previstos para divulgação no fim de setembro, pode ajudar você a decidir o momento certo de considerar essa tecnologia no seu planejamento.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.