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Rio de Janeiro tem PIB de R$ 1,3 tri: por que a economia não cresce mais

25/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem empresa no Rio de Janeiro, provavelmente já sentiu na pele um paradoxo: o estado é a segunda maior economia do país, com PIB estimado em R$ 1,3 trilhão em 2024, mas o dia a dia de operar um negócio por lá continua difícil. A explicação está nas contas públicas do estado, no ambiente de negócios pesado e numa mudança estrutural que tirou indústria da região ao longo das últimas décadas.

Os números de renda até favorecem o Rio: o rendimento médio mensal do trabalho no estado foi de R$ 4.177 em 2025, o terceiro maior do país, atrás apenas do Distrito Federal e de São Paulo, e cerca de 17% acima da média nacional. O rendimento domiciliar per capita também supera a média brasileira. Ou seja, para quem já está empregado ou tem negócio consolidado, o estado oferece um mercado consumidor relevante. O problema é a dificuldade de transformar esse potencial em crescimento sustentado, novos empregos e mais investimento privado.

O que trava o crescimento

O principal gargalo está nas contas públicas. Ao fim de 2025, a dívida líquida do estado chegou a R$ 218,4 bilhões, equivalente a 217,25% da Receita Corrente Líquida ajustada, acima do limite de 200% definido pelo Senado Federal para os estados. Essa dívida cresceu ao longo do ano: no primeiro quadrimestre, a relação ainda estava em 198,82%, dentro do limite. O avanço mostra que a pressão fiscal se intensificou justamente no período mais recente.

Some a isso o peso da folha de pagamento: as despesas com servidores, aposentados e pensionistas consumiram 56,45% da receita em 2025, valor dentro do limite máximo, mas acima do patamar considerado de alerta pelas regras fiscais. Na prática, isso significa que o governo estadual tem pouca margem para investir em infraestrutura, segurança e educação, áreas que ajudariam a atrair empresas e gerar emprego. Para especialistas ouvidos, quando a maior parte da receita já está comprometida com despesas obrigatórias, o investimento público vira a variável que sobra para ajustar as contas, quase sempre para menos.

O peso das contas públicas no Rio
217,25%dívida sobre receitaacima do limite de 200% definido pelo Senado.
R$ 274,8 bicusto extra por anogasto adicional das empresas fluminenses frente a padrões da OCDE, segundo a Firjan.
37,1%informalidade no trabalhono 4º trimestre de 2025, próximo da média nacional de 37,6%.

Existe ainda o que economistas chamam de "Custo Rio": infraestrutura deficiente, insegurança, burocracia e incerteza regulatória que encarecem operar no estado. Um estudo da Firjan estimou esse custo adicional em R$ 274,8 bilhões por ano, na comparação com padrões internacionais de países da OCDE. Para quem administra uma empresa, isso se traduz em mais gastos com segurança, logística mais cara e processos regulatórios mais lentos do que em outros estados concorrentes.

Outro ponto sensível é a dependência dos royalties do petróleo. Em vez de servirem para financiar infraestrutura e projetos de desenvolvimento de longo prazo, parte desses recursos tem sido usada para cobrir despesas do dia a dia, incluindo a folha de pagamento. Isso cria um problema duplo: quando o preço do petróleo cai, a arrecadação despenca e compromete até o pagamento de obrigações correntes, não apenas os investimentos.

Por que a indústria foi embora

Nas últimas décadas, o Rio perdeu peso industrial para São Paulo, atraído por melhor logística e mercado consumidor maior. Com isso, a economia fluminense passou a depender mais da extração de petróleo e gás, atividade concentrada no Norte do estado, o que dificulta espalhar a riqueza gerada para o restante do território. Especialistas apontam que reverter esse quadro exige reconstruir cadeias produtivas mais completas, capturando mais valor em engenharia, tecnologia e serviços especializados ligados ao petróleo, em vez de apenas extrair a matéria-prima.

Há um movimento recente que pode aliviar parte da pressão fiscal: em junho de 2026, o Rio deixou o Regime de Recuperação Fiscal e aderiu ao PROPAG, programa de renegociação de dívidas dos estados com a União. A operação envolveu amortização de R$ 42,1 bilhões em ativos e deve reduzir o serviço mensal da dívida. Ainda assim, especialistas avaliam que essa mudança melhora o fluxo de caixa do estado, mas não resolve o problema estrutural por trás do endividamento.

Para quem faz negócios no Rio, o cenário reforça a importância de planejamento tributário e financeiro rigoroso, já que o ambiente regulatório e fiscal tende a continuar instável no curto prazo. Vale acompanhar de perto mudanças na política de incentivos estaduais, no comportamento da arrecadação e em programas de renegociação de dívidas, pois esses fatores afetam diretamente a capacidade do governo de investir em infraestrutura e segurança, elementos que pesam na decisão de expandir ou manter operações no estado.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.