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Remédio para emagrecer em pílula pode dominar metade do mercado até 2030

22/09/2026 15:273 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O mercado de medicamentos para obesidade pode passar por uma mudança significativa nos próximos anos. Mike Doustdar, CEO da Novo Nordisk, disse à Reuters que os comprimidos para emagrecer podem conquistar até metade desse mercado até 2030, hoje dominado pelas injeções semanais. Se essa projeção se confirmar, o cenário competitivo do setor farmacêutico ligado à obesidade muda de forma relevante, e isso interessa a quem acompanha tendências de consumo, saúde corporativa e investimentos.

A Novo Nordisk, farmacêutica dinamarquesa fabricante do Wegovy, já saiu na frente nesse movimento. No início deste ano, a empresa lançou o primeiro comprimido para obesidade do mercado, superando a concorrente Eli Lilly nessa corrida. Atualmente, a companhia tem cinco medicamentos orais em desenvolvimento, o que mostra uma aposta consistente nesse formato.

O que muda no setor

Segundo Doustdar, os concorrentes continuam priorizando o desenvolvimento de injetáveis: para cada dois comprimidos em desenvolvimento no mercado, existem oito medicamentos injetáveis sendo criados pela concorrência. Essa diferença de estratégia pode se tornar uma vantagem para a Novo Nordisk caso as pílulas realmente ganhem a preferência de pacientes e médicos, já que a empresa estaria mais preparada para esse cenário.

As projeções atuais do mercado financeiro são mais conservadoras do que a aposta do CEO. Wall Street estima que os tratamentos orais devem representar entre 14% e 40% de um mercado de medicamentos para obesidade avaliado entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões até 2030. Ou seja, a fala de Doustdar sobre uma divisão de 50/50 entre pílulas e injetáveis representa uma mudança bem maior do que a esperada até agora.

O avanço do Wegovy oral
1/3das prescrições nos EUAComprimidos passaram a representar cerca de um terço das prescrições contra obesidade nos EUA.
Mais de 80%de participação da Novo NordiskA empresa concentra a maior parte das novas prescrições de tratamentos orais.
US$ 843 milhõesem vendas no 1º semestreReceita gerada pela pílula Wegovy apenas nos primeiros seis meses do ano.

Contexto financeiro da empresa

Essa aposta em comprimidos ocorre em um momento delicado para a Novo Nordisk. O Wegovy, lançado em 2021, transformou a empresa na companhia mais valiosa da Europa listada em bolsa. No entanto, desde o pico de valorização, as ações da farmacêutica acumulam queda superior a 70%, principalmente pelo avanço da concorrente Eli Lilly no setor. O sucesso do Wegovy oral tem sido um dos poucos pontos positivos recentes para a companhia.

Além do Wegovy oral, a Novo Nordisk trabalha em outras frentes: o zenagamtide, um comprimido de dupla ação de nova geração, um análogo oral da amilina e um medicamento de molécula pequena. Segundo Doustdar, o Wegovy oral estará protegido da concorrência de genéricos até meados ou o fim da década de 2030, graças às patentes da tecnologia de administração usada no comprimido, chamada SNAC. Essa proteção é importante porque a semaglutida, substância ativa do Wegovy, perderá exclusividade no início dos anos 2030, o que preocupa investidores.

O que isso significa na prática

Para empresários e gestores que atuam em áreas conectadas à saúde, bem-estar corporativo, planos de saúde ou distribuição farmacêutica, esse movimento sinaliza uma mudança de comportamento que pode afetar custos, demanda e modelos de negócio nos próximos anos. Comprimidos tendem a ser mais simples de administrar e distribuir do que injetáveis, o que pode ampliar o acesso a esses tratamentos e influenciar decisões sobre benefícios oferecidos a colaboradores. Acompanhar esse tipo de tendência ajuda a antecipar mudanças de mercado que podem impactar diferentes setores relacionados à saúde e ao consumo.

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