Recuperação judicial: por que mais empresas estão recorrendo a ela
19/08/2026 16:003 min de leituraAtualizado há 14 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Se você sente que o crédito está mais caro e mais difícil de conseguir, não é impressão sua. Esse cenário tem levado um número crescente de empresas a pedir recuperação judicial no Brasil. Os pedidos cresceram 66% em três anos, somando 6.341 casos, e o motivo principal é o mesmo que pode estar afetando o seu negócio agora: juros altos, dívidas mais caras de renovar e clientes pagando menos em dia.
O que está por trás do aumento
O grande vilão é o custo do dinheiro. As linhas de capital de giro, que ficavam abaixo de 11% ao ano em 2020, saltaram para cerca de 23% ao ano em 2026. Na prática, isso significa que renovar uma dívida ou pegar um novo empréstimo para pagar contas do dia a dia ficou muito mais caro para qualquer empresa, especialmente as que já estão endividadas. Ao mesmo tempo, a inadimplência entre empresas subiu de 1,5% para 4%, o que mostra que cada vez mais negócios estão deixando de pagar seus compromissos em dia, criando um efeito em cadeia: quem não recebe também tem dificuldade de pagar.
Quem está sendo mais afetado
O agronegócio é hoje o setor mais pressionado por essa combinação de fatores. Os pedidos de recuperação judicial no campo também cresceram 66% em 12 meses, chegando a 1.263 empresas com processo aberto até o meio de 2026. A explicação está numa junção de problemas: preços de commodities mais baixos, custo de produção maior, juros elevados e perdas com o clima. Só no primeiro trimestre de 2026, o setor teve 517 pedidos, um avanço de 33% em relação ao ano anterior, e as dívidas envolvidas somaram R$ 38 bilhões. Além do agronegócio, transporte, logística e varejo também aparecem entre os mais afetados, pressionados por margens menores, consumidor mais cauteloso e necessidade de investir para continuar competitivos.
Vale entender que a recuperação judicial não é uma solução mágica. Ela serve para negociar dívidas com credores e ganhar tempo para reorganizar a empresa, mas não garante, por si só, que o negócio vai sobreviver. Isso depende de a empresa conseguir gerar caixa, cortar custos onde for preciso e, muitas vezes, repensar a forma como opera. Há ainda um detalhe importante para pequenos e médios negócios: o próprio processo de recuperação judicial tem custo e exige estrutura. Empresas maiores costumam ter mais fôlego para arcar com isso e para usar também caminhos extrajudiciais de renegociação, enquanto negócios menores podem ter dificuldade até para dar entrada no processo.
Para o seu negócio, o recado prático é: fique atento ao seu nível de endividamento e à sua dependência de crédito para operar. Se a sua empresa está no agronegócio, no varejo, no transporte ou na logística, os setores mais pressionados no momento, vale reforçar o controle de caixa e negociar com fornecedores e bancos antes que o problema se agrave. Buscar orientação contábil e financeira com antecedência costuma abrir mais opções do que esperar a situação chegar a um ponto crítico, quando as alternativas de negociação ficam mais limitadas e mais caras.
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