Receita Federal reforça atuação permanente no combate ao narcotráfico e aos crimes ambientais nas fronteiras brasileiras

Se sua empresa exporta ou importa mercadorias, principalmente madeira, papel ou cargas que passam por portos e aeroportos brasileiros, preste atenção: a Receita Federal reforçou publicamente que vai continuar investindo em inteligência e cooperação internacional para combater o narcotráfico e o comércio ilegal de madeira. Isso significa mais fiscalização, mais exigências documentais e mais rigor na liberação de cargas, o que pode impactar prazos e custos logísticos do seu negócio.
Nos últimos meses, uma série de apreensões mostrou como criminosos têm usado cadeias legítimas de comércio exterior para esconder drogas. Cocaína foi encontrada dentro de madeira, de cargas de papel, em garrafas de refrigerante e até em móveis destinados à exportação. Uma das ocorrências, no Aeroporto de Confins, foi classificada como a maior apreensão de cocaína já registrada em aeroportos do país. Esses casos reforçam que nenhuma carga está isenta de escrutínio, inclusive produtos que parecem completamente comuns.
O que muda para quem exporta
Um dos pontos mais relevantes para empresários do setor madeireiro é a exigência de controles adicionais para exportação de determinadas espécies, como o ipê, dentro das regras da CITES, o acordo internacional que regula o comércio de plantas e animais silvestres. Dependendo da origem e da data de exploração da madeira, pode ser necessário apresentar Certificado Pré-Convenção ou Licença de Exportação CITES. Empresas que não tiverem essa documentação organizada correm risco de retenção de carga, atraso na exportação e prejuízo financeiro.
Além disso, a Receita Federal tem utilizado métodos de identificação cada vez mais sofisticados para detectar formas de ocultação de drogas, como a chamada cocaína negra, uma mistura com carvão ativado que dificulta a detecção por cães farejadores e testes rápidos, e a cocaína líquida, diluída em solventes ou água. Isso mostra que a fiscalização está evoluindo junto com as táticas criminosas, e cargas de perfil suspeito, mesmo sem qualquer irregularidade real, podem ser selecionadas para verificação mais detalhada.
Quem é afetado
O alerta vale principalmente para exportadores de madeira, papel e produtos de alto volume logístico, além de empresas que operam em portos como Pecém, Paranaguá, Santos e no complexo de Itajaí e Navegantes, e aeroportos com movimentação internacional de cargas. Também merece atenção quem trabalha com parceiros comerciais em países como Estados Unidos, Bolívia e Chile, já que houve casos recentes de cooperação internacional de inteligência entre esses países e a aduana brasileira, como na chamada Operação Timber Shield.
Vale destacar um ponto importante dessa operação: uma carga de madeira foi retida com base em informações compartilhadas entre autoridades de diferentes países, mas os testes periciais realizados posteriormente pela Polícia Federal, em uma das localidades investigadas, deram resultado negativo para a presença de entorpecentes. Em outra localidade, a apuração ainda está em andamento, com perícias pendentes. Isso mostra que mesmo empresas com operações completamente regulares podem ter cargas retidas temporariamente durante investigações, o que reforça a importância de manter documentação organizada para agilizar qualquer verificação.
Como se preparar
Para reduzir riscos de atrasos e prejuízos, vale revisar a documentação de origem e procedência das mercadorias exportadas, especialmente madeira sujeita a controles CITES. Também é recomendável ter processos claros de rastreabilidade da cadeia produtiva e logística, já que informações de compliance podem ser solicitadas rapidamente em caso de fiscalização. Empresas que atuam com terceirização de transporte ou armazenagem devem redobrar a atenção com fornecedores e parceiros logísticos, pois a contaminação de cargas por terceiros mal-intencionados é um dos riscos apontados nos casos recentes.
| Data | Local | Ocorrência |
|---|---|---|
| 2025 | Porto de Pecém (CE) | 75 toneladas de madeira (ipê) extraída ilegalmente |
| Maio de 2025 | Porto de Paranaguá | 156 kg de cocaína escondidos em madeira |
| 10 de junho de 2025 | Porto de Santos | 1,5 tonelada de cocaína oculta em carga de papel |
| Novembro de 2025 | Itajaí e Navegantes | 300 garrafas com cocaína líquida |
| Dezembro de 2025 | Aeroporto de Confins (MG) | 1,2 tonelada de cocaína pura em móveis |
| Março de 2026 | Porto de Paranaguá | 226 kg de cocaína em contêiner com madeira (pinus) |
A Receita Federal também deixou claro que não vai divulgar publicamente detalhes de suas técnicas de inteligência e gestão de risco, o que é compreensível do ponto de vista de segurança das operações, mas que também exige que empresas do comércio exterior se antecipem, mantendo processos internos robustos em vez de depender de informações externas sobre critérios de fiscalização.
Na prática, o recado para o empresário é direto: o ambiente de fiscalização aduane
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.



