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Reabilitação visual pelo SUS: onde buscar e como a IA pode ajudar

10/09/2026 15:493 min de leituraAtualizado há 56 minutos

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você conhece alguém com baixa visão ou cegueira, ou lida com colaboradores, clientes ou familiares nessa situação, vale saber: existe uma rede pública, gratuita e de qualidade dedicada a devolver autonomia a essas pessoas. O problema é que quase ninguém sabe que ela existe, nem mesmo parte dos profissionais de saúde.

É o que aponta um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que mapeou os chamados centros especializados em reabilitação (CERs) espalhados pelo país. Ao todo, são 95 unidades disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), voltadas a quem perdeu a visão total ou parcialmente. Apesar do alcance nacional, o próprio conselho reconhece que o desconhecimento sobre o serviço é generalizado.

O que é esse serviço e para quem ele serve

Os CERs funcionam como um ponto de apoio especializado para pessoas com deficiência visual, oferecendo atendimento multiprofissional voltado à reabilitação e à retomada da independência no dia a dia. O acesso, no entanto, depende de uma rede bem organizada dentro do SUS, com boa comunicação entre o posto de saúde da esquina e os centros de maior complexidade. Quando essa comunicação falha, o paciente simplesmente não chega até o serviço, mesmo ele estando disponível e sendo gratuito.

O mapeamento, conduzido pela oftalmologista Karina Eiko Yamashita, mostra que os centros existem em todas as regiões do país, mas com distribuição bastante desigual. Essa informação é importante para você entender onde a busca por atendimento tende a ser mais fácil e onde pode haver mais dificuldade de acesso.

RegiãoNúmero de centros (CERs)
Sudeste39
Nordeste31
Norte12
Sul9
Centro-Oeste4

Segundo o CBO, essa publicação funciona como uma espécie de guia tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde que precisam encaminhar alguém para atendimento especializado. Na prática, é uma ferramenta simples que ajuda a resolver um problema de informação, mais do que de falta de estrutura.

O papel da inteligência artificial na reabilitação

Além da rede de atendimento presencial, o conselho destaca a inteligência artificial como uma aliada recente e cada vez mais relevante nesse processo. Bengalas inteligentes já conseguem detectar obstáculos e orientar a locomoção por comandos de voz, enquanto sistemas de audiodescrição analisam imagens e textos para descrever o ambiente ao usuário, ampliando sua independência em tarefas cotidianas. Para o CBO, trata-se de tecnologias que eram inimagináveis há poucos anos e que hoje já estão disponíveis no mercado.

Ainda assim, a entidade faz um alerta importante: nenhuma tecnologia substitui o acompanhamento oftalmológico. É o médico especializado quem avalia a funcionalidade visual de cada paciente e orienta o uso correto dessas ferramentas assistivas, considerando a evolução e o prognóstico de cada condição ocular. Ou seja, a tecnologia funciona melhor quando combinada com orientação profissional, não como substituto dela.

O CBO também chama atenção para riscos éticos envolvidos no uso de IA nesse contexto. Sistemas de audiodescrição dependem de bases de dados que podem carregar vieses, o que exige cuidado redobrado justamente porque o público atendido já enfrenta vulnerabilidades. É um ponto de atenção para desenvolvedores dessas tecnologias, mas também para quem recomenda ou adota essas soluções.

Como se preparar

Se a sua empresa emprega, atende ou presta serviços a pessoas com deficiência visual, o primeiro passo prático é simples: divulgar a existência dos CERs para quem possa precisar. Muitas vezes, a barreira não é o custo nem a disponibilidade do serviço, mas a falta de informação sobre onde buscar ajuda. O CBO reforça esse compromisso durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que ocorre em Salvador até este sábado, dia 12, reunindo debates sobre a rede de reabilitação e as novas tecnologias assistivas. Conhecer esse tipo de recurso pode fazer diferença real na inclusão e na qualidade de vida de quem convive com baixa visão ou cegueira no seu círculo profissional ou pessoal.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.