Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você trabalha com varejo, franquias ou qualquer negócio ligado a beleza e cuidados pessoais, vale conhecer quem está por trás das duas gigantes que dominam esse mercado no Brasil. O país é o terceiro maior mercado de beleza e cuidados pessoais do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, com faturamento setorial de cerca de R$ 200 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Nesse cenário bilionário, quatro empresários brasileiros construíram ou ajudaram a construir O Boticário e a Natura, e todos aparecem na lista de bilionários brasileiros de 2026.
Quem são os donos
O Boticário nasceu em 1977, quando Miguel Krigsner, então com 76 anos, fundou uma farmácia de manipulação em Curitiba após se formar em farmácia e bioquímica pela UFPR. Krigsner foi pioneiro no modelo de franquias no setor e hoje comanda um grupo que controla marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult e O.U.i. Seu patrimônio é estimado em R$ 35,7 bilhões, o que o coloca na 8ª posição do ranking de bilionários brasileiros. Ao lado do cunhado e sócio Artur Grynbaum, ele também investiu fora do setor de beleza, na Cia. Tradicional de Comércio, dona de redes conhecidas de bares e restaurantes em São Paulo.
Grynbaum, de 57 anos, foi CEO de O Boticário por 13 anos, até 2021, e hoje é vice-presidente do conselho de administração. Seu patrimônio é de R$ 8,7 bilhões, na 40ª posição do ranking. Além das marcas próprias do grupo, que incluem também Truss, o grupo controla a plataforma de e-commerce Beleza na Web.
Do outro lado da disputa está a Natura, fundada em 1969 por Antônio Luiz Seabra como resposta brasileira à Avon. Hoje com 84 anos e patrimônio de R$ 6,1 bilhões (71ª posição no ranking), Seabra transformou a empresa na maior companhia de cosméticos do Brasil, com cerca de 1,4 milhão de consultoras vendendo produtos porta a porta no país e em outros seis países da América Latina, além da França. Ele é copresidente do conselho da Natura e também dono da Bresco, empresa de locação de imóveis. O cofundador da Natura, Guilherme Leal, tem 76 anos e patrimônio de R$ 3,6 bilhões (105ª posição). Ele integra o conselho de administração da empresa e tem se dedicado a iniciativas ligadas a boas práticas empresariais e ambientais, como o Instituto Ethos.
A disputa pela liderança
Para você que acompanha o mercado de consumo, o dado mais interessante é o quão apertada está a briga entre as duas empresas. Segundo dados da Euromonitor International compilados pelo Bradesco BBI, a Natura, já somada à Avon, encerrou 2025 com 15,7% de participação no mercado brasileiro, contra 15,5% de O Boticário. É a menor diferença já registrada entre os dois grupos. Em outra metodologia, a do painel de consumidores Homescan da NielsenIQ, quem aparece na liderança é o Grupo Boticário, ocupando a primeira posição em perfumaria, maquiagem e cuidados com a pele.
Essa disputa acirrada tem histórico. A compra da Avon pela Natura em 2020 criou um dos maiores grupos de beleza do mundo, mas trouxe anos de dificuldades financeiras, agravadas pela pandemia de Covid-19, e uma complexidade operacional que levou a empresa a simplificar sua estrutura nos anos seguintes. Hoje a Natura opera a Avon exclusivamente na América Latina. Enquanto isso, O Boticário seguiu ganhando espaço de forma consistente, principalmente em perfumes, maquiagem e cuidados com a pele, categorias em que hoje aparece na frente segundo pelo menos uma das metodologias de mercado.
Para empresários e gestores que atuam no varejo de beleza, franquias ou fornecem para esse setor, esse equilíbrio de forças é um sinal importante: não existe mais um líder isolado e incontestável no mercado brasileiro de cosméticos. Isso tende a intensificar a competição por espaço em pontos de venda, por consultoras e revendedoras, e por lançamentos de produtos, o que pode se refletir em condições comerciais, campanhas e parcerias mais agressivas de ambos os lados. Fique atento a esse movimento se seu negócio depende, direta ou indiretamente, da dinâmica desse mercado.
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