Quem é Marciano Testa, fundador do Agibank e novo bilionário da Forbes
05/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
O Agibank, banco digital fundado por Marciano Testa, viveu um ano de recordes em 2025: lucro de R$ 1,047 bilhão, alta de 31,8% em relação a 2024, e carteira de crédito de R$ 34,855 bilhões, puxada principalmente pelo consignado do INSS. Os números vêm poucos meses depois de um marco importante na história da empresa: a abertura de capital na Bolsa de Nova York (NYSE), em fevereiro, que avaliou o banco em cerca de R$ 10 bilhões e colocou Testa na lista de bilionários da Forbes. Para você que é empresário ou gestor, a trajetória do Agibank é um estudo de caso sobre como um negócio pequeno e despretensioso pode se transformar em uma instituição financeira de peso, desde que a empresa saiba se reinventar nos momentos certos.
De vendedor porta a porta a banco digital
O Agibank nasceu em 1999 como Agiplan, uma empresa de crédito voltada para um público pouco atendido pelos bancos tradicionais: pessoas de baixa renda e aposentados. Testa começou oferecendo crédito quase que de porta em porta, atuando ele mesmo como vendedor. Com o tempo, o negócio passou por três grandes mudanças de rumo: primeiro um marketplace de crédito, depois uma instituição financeira voltada ao crédito ao consumo e, por fim, o banco híbrido e totalmente digital que existe hoje. Para Testa, essa capacidade de identificar o momento certo de mudar de modelo é o que garante a continuidade de um negócio ao longo de décadas.
Uma decisão que o próprio fundador considera decisiva nessa trajetória foi a compra de um banco em 2016, movimento que ele classifica como arriscado, mas bem calculado diante do cenário de instabilidade econômica e institucional do Brasil. Segundo ele, o país oferece um ambiente difícil para quem empreende, principalmente por causa da política fiscal e das taxas de juros elevadas, que tornam mais vantajoso emprestar dinheiro ao governo do que investir em negócios próprios. Ainda assim, foi dentro desse cenário desafiador que o Agibank cresceu e se consolidou.
O que sustenta o crescimento do negócio
Testa resume a estratégia do Agibank em três pilares: foco no cliente, tecnologia e cultura organizacional. Na prática, isso significa que, mesmo à frente de uma empresa com mais de 5.100 funcionários, ele afirma interromper qualquer atividade para atender pessoalmente um cliente que peça ajuda ou faça uma reclamação. Esse comportamento, segundo ele, é usado como exemplo interno para reforçar a cultura da empresa. Já a tecnologia aparece como ferramenta a serviço desse atendimento, e não como um fim em si mesma, o que ajuda a explicar por que o banco tem investido pesado em inteligência artificial.
Um exemplo concreto dessa aposta está no call center do banco: hoje com 200 pessoas, a meta é reduzir a equipe para 50 no próximo ano, com o atendimento automatizado por IA resolvendo a maior parte das demandas e o time humano entrando apenas nos casos mais complexos. Testa também comentou que não descarta testar, no futuro, formas de inteligência artificial aplicadas a atendimentos presenciais, o que indica que a automação deve seguir avançando para outras frentes do negócio.
A lição por trás da história pessoal
Testa começou a trabalhar aos 8 anos de idade para ajudar na renda da família e abriu seu primeiro negócio aos 16 anos, vendendo-o aos 19. Ele descreve essa fase como seu "primeiro MBA da vida real", quando aprendeu na prática a importância de mapear e gerenciar riscos, uma habilidade que, segundo ele, carregou para todas as decisões seguintes, incluindo a compra do banco em 2016. Para quem lidera uma empresa, a trajetória reforça um ponto prático: entender e dosar riscos, em vez de simplesmente evitá-los, pode ser o que diferencia um negócio que estagna de um que cresce.
Ao ser questionado sobre o legado que deseja deixar, Testa voltou à própria história: disse querer ser lembrado como alguém que transformou sua trajetória e mostrou que, independentemente da origem, é possível chegar a resultados expressivos por meio de trabalho duro e honesto. É um recado que ele também diz querer passar para as próprias filhas e que resume bem a mensagem central de toda a entrevista: o que importa não é de onde o negócio partiu, mas a capacidade de se adaptar e seguir evoluindo.
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