Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Você já parou para pensar quanto dinheiro sua empresa desperdiça só porque ninguém verifica o estoque antes de comprar mais material? Foi exatamente esse tipo de pergunta simples, feita no chão de fábrica, que ajudou o empresário americano Joe Strada a construir uma empresa avaliada em centenas de milhões de dólares. A história dele, que começou em uma pista de boliche e hoje o coloca no caminho para se tornar o congressista mais rico dos Estados Unidos, carrega lições de gestão que valem para qualquer negócio de prestação de serviços, inclusive os brasileiros.
Uma trajetória construída com controle de custos e padronização
Strada é presidente executivo e dono de 45% da Strada Services, empresa americana que instala e dá manutenção em sistemas elétricos, de ar-condicionado, hidráulicos e de segurança para construtoras e proprietários de imóveis. Em 2025, a companhia faturou US$ 534 milhões (R$ 2,67 bilhões) e emprega mais de 4 mil pessoas em 13 estados americanos. O patrimônio pessoal de Strada é estimado pela Forbes em US$ 800 milhões (R$ 4 bilhões).
O que chama atenção na rotina de Strada, mesmo sem cargo formal de direção no dia a dia, é o hábito de caminhar pela operação e questionar desperdícios. Ao ver sobras de fio de cobre acumuladas, por exemplo, ele pergunta se alguém conferiu o estoque antes de comprar mais material. Parece um detalhe pequeno, mas é esse tipo de atenção ao custo invisível que separa negócios lucrativos de negócios que apenas faturam muito e sobrevivem com margens apertadas.
Padronização como estratégia de crescimento
Um dos pontos centrais da gestão de Strada foi perceber que, ao instalar a fiação elétrica da mesma planta de casa repetidas vezes, sua empresa deveria dominar exatamente o que era necessário para cada etapa, até o menor detalhe. Em vez de deixar cada profissional trabalhar do seu próprio jeito, como era comum no setor, ele padronizou o processo com uma planta laminada e circuitos identificados por cores, transformando a instalação em algo repetível e previsível.
Essa padronização trouxe três ganhos práticos: acelerou o tempo de instalação, reduziu o desperdício de material e tornou os custos mais previsíveis para orçamentos futuros. Para empresários que lidam com serviços repetitivos, seja construção, manutenção predial ou qualquer operação que se repete em escala, a lição é direta: processos padronizados custam menos para executar e são mais fáceis de precificar com segurança.
O crescimento da empresa também se beneficiou de um movimento de mercado: entre 2019 e 2021, fundos de private equity passaram a investir pesado no setor de serviços residenciais nos Estados Unidos, atraídos pela possibilidade de consolidar pequenas empresas fragmentadas de elétrica, hidráulica e ar-condicionado. Foi nesse contexto que a Trilantic North America adquiriu 55% da Strada Services em 2021, movimento que abriu caminho para novas aquisições, como a compra da texana Templar Electric por US$ 80 milhões em 2024.
O que isso ensina ao pequeno e médio empresário
Mesmo em uma escala muito diferente, o caso de Strada reforça princípios que valem para qualquer gestor: acompanhar de perto a operação, questionar gastos que parecem pequenos mas se acumulam, e investir tempo em criar processos replicáveis antes de buscar crescimento acelerado. Strada só conseguiu aproveitar a onda de demanda por casas novas na Flórida porque já tinha, havia anos, uma operação organizada e com custos sob controle.
Para o empresário brasileiro que lida com equipes de campo, prestação de serviços técnicos ou operações que se repetem em múltiplos clientes, o aprendizado prático é claro: padronizar tarefas, documentar processos e manter vigilância constante sobre desperdícios são passos que custam pouco para implementar e que preparam o negócio para crescer quando a oportunidade aparecer, seja ela uma recuperação de mercado, uma nova parceria ou a entrada de um investidor.
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