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Quem é André Esteves e como ele chegou aos R$ 66,1 bilhões

10/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Se você acompanha o mercado financeiro brasileiro, provavelmente já ouviu falar de André Esteves, principal acionista individual do BTG Pactual. Na edição 2026 da Lista Forbes de Bilionários Brasileiros, ele aparece como o quarto brasileiro mais rico, com um patrimônio estimado em R$ 66,1 bilhões. O valor representa um crescimento de 29,6% em relação aos R$ 51 bilhões do ano anterior, puxado principalmente pela valorização das ações do banco que ele ajudou a construir.

Aos 58 anos, casado e pai de três filhos, Esteves tem no BTG Pactual a origem de praticamente toda a sua riqueza. Nos 12 meses encerrados em 30 de junho, as units do banco subiram 33%, e a instituição fechou 2025 com lucro líquido ajustado recorde de R$ 15,9 bilhões, alta de 34,7% sobre o ano anterior. Esse desempenho consolidou a posição de Esteves no ranking nacional, atrás de Eduardo Saverin, Vicky Safra e família, e Jorge Paulo Lemann e família. Para efeito de comparação, sua fortuna é mais de sete vezes o valor mínimo necessário para entrar entre os dez brasileiros mais ricos de 2026, que ficou em R$ 9,07 bilhões.

Do curso de matemática à liderança do BTG

A trajetória de Esteves no mercado financeiro começou de forma pouco óbvia. Nascido no Rio de Janeiro, ele ingressou no Banco Pactual em 1989, aos 21 anos, enquanto ainda cursava ciência da computação e matemática na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Contratado como analista de sistemas, tornou-se sócio apenas quatro anos depois, um sinal precoce de sua ascensão dentro da instituição.

Em 2006, o UBS comprou o Banco Pactual por US$ 3,1 bilhões. Dois anos depois, Esteves e antigos sócios fundaram o BTG, e em 2009 o grupo recomprou o UBS Pactual, dando origem ao atual BTG Pactual. A abertura de capital na bolsa brasileira aconteceu em 2012, levantando R$ 3,2 bilhões. Esteves entrou pela primeira vez na lista de bilionários em 2005, aos 37 anos, e desde então nunca mais saiu do ranking da Forbes.

O momento atual do BTG Pactual

Os números mais recentes do banco ajudam a explicar por que a fortuna de Esteves segue em trajetória de alta. No segundo trimestre de 2026, o BTG registrou receita total de R$ 10,4 bilhões, crescimento de 16% na comparação anual, com lucro líquido ajustado de R$ 5,14 bilhões, 22,6% acima do mesmo período do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, as receitas somaram R$ 20,3 bilhões, e o banco classificou o período como o melhor primeiro semestre de sua história.

BTG Pactual em números (2º tri de 2026)
R$ 925,2 biativos totaispatrimônio líquido de R$ 79,6 bilhões.
R$ 367 bicarteira de créditoexpansão de 24% em 12 meses.
R$ 332 bicaptação líquida em 12 mesesR$ 59 bilhões só no trimestre.
26,7%ROAErentabilidade anualizada sobre o patrimônio.

Nem todas as áreas do banco tiveram o mesmo ritmo. Enquanto o Corporate Lending registrou receita recorde de R$ 2,5 bilhões e o Consumer Finance & Banking cresceu 37,4% em relação ao trimestre anterior, a receita de Investment Banking recuou 46,1% na comparação anual, afetada pela menor atividade no mercado de emissões de dívida. O CEO Roberto Sallouti afirmou que o banco tem adotado uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, priorizando operações com garantias e menor risco diante de juros elevados, endividamento das famílias e possível piora na inadimplência.

Um afastamento que não interrompeu a trajetória

A história de Esteves à frente do BTG teve um capítulo turbulento. Em 2015, ele deixou suas funções executivas após ser detido no contexto das investigações da Operação Lava Jato, ficando preso por quase três semanas. Posteriormente foi absolvido das acusações de obstrução da Justiça, retornando ao banco em 2016 como consultor sênior. Em 2018, um juiz federal confirmou sua absolvição, e no ano seguinte o Banco Central aprovou seu retorno ao grupo de controle do BTG Pactual.

Além da atuação no mercado financeiro, Esteves é sócio-fundador do Instituto de Tecnologia e Liderança, o Inteli, faculdade sem fins lucrativos voltada à formação em tecnologia, computação, negócios e liderança. Ele também já integrou conselhos de instituições como B3 e Febraban, além de ter participado do Conselho Latino-Americano da Harvard Business School.

Para você que acompanha o mercado ou lida com decisões financeiras no seu negócio, a trajetória de Esteves ilustra como resultados consistentes de uma instituição financeira, mesmo em cenários de juros altos e cautela no crédito, podem se traduzir em valorização robusta para investidores e controladores. O caso também reforça a importância de acompanhar indicadores como carteira de crédito, captação líquida e rentabilidade ao avaliar a saúde de parceiros bancários e possíveis oportunidades de investimento.

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