Quanto ganham os jogadores mais bem pagos da NHL em 2026
03/10/2026 05:005 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o mercado esportivo mesmo que só de longe, vale entender o que está acontecendo com o dinheiro na NHL, a liga de hóquei no gelo dos Estados Unidos. Depois de seis anos praticamente parado, o teto salarial da liga, que é o limite que cada time pode gastar com elenco, deu um salto expressivo nesta temporada e passou a liberar quantias muito maiores para contratos. O resultado prático: uma sequência de acordos recordes em poucos meses e uma nova geração de jogadores jovens ganhando valores que antes pareciam distantes da realidade do esporte.
O que mudou
Entre 2018 e 2024, o teto salarial da NHL cresceu pouco, de US$ 79,5 milhões para US$ 83,5 milhões. Nesta temporada, porém, ele saltou para US$ 104 milhões, puxado pela recuperação financeira pós-pandemia e pelo crescimento forte dos patrocínios da liga. Com mais espaço no orçamento, os times trataram logo de reforçar seus elencos com contratos de longo prazo e valores médios anuais inéditos. Não é exagero dizer que a liga está vivendo uma espécie de reprecificação geral: dos 18 maiores contratos já assinados na era do teto salarial, que começou há 21 anos, 14 foram fechados apenas em 2025 e 2026.
O movimento começou em julho, quando o Philadelphia Flyers fez uma oferta de cinco anos e US$ 90 milhões ao central Leo Carlsson. O Anaheim Ducks igualou a proposta dias depois para não perder o jogador, e esse acordo, com média de US$ 18 milhões por ano, bateu o recorde de contrato da liga. O recorde não durou muito: foi superado logo em seguida por Macklin Celebrini, do San Jose Sharks, com média de US$ 18,8 milhões, e depois por Cale Makar, do Colorado Avalanche, com média de US$ 20,4 milhões ao longo de oito anos.
Apesar disso, Carlsson aparece como o jogador mais bem pago da NHL neste ano, porque os novos contratos de Celebrini e Makar só começam a pagar valores mais altos a partir de 2027-28. Somando salário e cerca de US$ 400 mil em patrocínios, Carlsson deve receber US$ 21,2 milhões nesta temporada, superando por pouco Connor McDavid, do Edmonton Oilers, que deve embolsar US$ 20,8 milhões. Os dois se tornam apenas o segundo e o terceiro jogador na história da lista da Forbes a ultrapassar os US$ 20 milhões, atrás de Auston Matthews.
Quem é afetado e por que isso importa
Os dez jogadores mais bem pagos da NHL devem receber juntos US$ 186 milhões nesta temporada, 11% a mais que o recorde do ano passado. Seis nomes novos entraram nessa lista, incluindo Kirill Kaprizov, do Minnesota Wild, que já havia aparecido antes, e cinco jogadores que nunca tinham figurado entre os mais bem pagos. Ainda assim, a NHL segue bem atrás de outras grandes ligas americanas: o valor necessário para entrar no top 10 de ganhos subiu 54% na última década, enquanto na NFL o avanço foi de 66% e na NBA, de 135%. Até na MLB, com crescimento mais modesto de 46%, o décimo colocado da lista de salários ganha mais que o líder da NHL.
Essa diferença tem explicação estrutural. Pelo acordo coletivo da liga, os jogadores recebem 50% da receita relacionada ao hóquei, patamar parecido com o da NBA, mas o tamanho do negócio é muito menor. Além disso, os jogadores da NHL ainda carregam uma espécie de dívida acumulada durante a pandemia, quando a receita da liga ficou abaixo do esperado, o que travou aumentos maiores no teto salarial por um bom tempo. Some-se a isso o fato de que as oportunidades de patrocínio pessoal no hóquei ainda são bem menores do que em esportes como basquete e futebol americano: apenas algumas dezenas de atletas da NHL passam de US$ 1 milhão por ano fora de quadra, liderados por McDavid, com cerca de US$ 6,5 milhões.
Para onde a tendência aponta
Mesmo com a diferença em relação a outras ligas, há sinais de que o mercado da NHL está esquentando de forma consistente. O acordo coletivo permite que um jogador receba até 20% do teto salarial em média anual, mas esse limite nunca tinha sido realmente testado. O contrato de Carlsson já passou de 17% do teto, e o de Makar deve ficar perto de 18%, abrindo caminho para que outros astros negociem valores ainda maiores daqui para frente. Segundo Matt Keator, agente de Carlsson, o contrato dele "mudou a dinâmica" e deve servir de referência para novos acordos, especialmente porque as projeções indicam que o teto salarial deve chegar a US$ 127,5 milhões em 2028-29, um avanço de 45% em quatro anos. O fim dos contratos atuais de transmissão da NHL nos Estados Unidos, também em 2028, é visto como outra oportunidade de acelerar essa receita.
Outro ponto que chama atenção é a idade dos jogadores mais bem pagos: a média do grupo é de 26 anos, e quatro deles têm 22 anos ou menos, incluindo o próprio Carlsson. Para quem observa o mercado esportivo como um todo, o recado é claro: a NHL está em um momento de reajuste de valores, puxado por receita crescente e por uma geração de jovens talentos que está renegociando os parâmetros salariais do esporte. Se as projeções de crescimento do teto se confirmarem, é provável que novos recordes de contrato continuem aparecendo nos próximos anos.
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