Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você contrata, treina ou gerencia equipes, vale prestar atenção a um número: segundo o Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, em média 39% das habilidades usadas hoje pelos trabalhadores serão transformadas ou ficarão ultrapassadas até 2030. Isso não é um problema distante, é algo que já deveria estar entrando no planejamento de contratação e capacitação da sua empresa agora.
A mudança não afeta todas as profissões da mesma forma, nem no mesmo ritmo. Funções ligadas a saúde, educação e trabalho social tendem a crescer, puxadas por fatores como o envelhecimento da população. Já áreas de tecnologia, como big data, inteligência artificial e aprendizado de máquina, aparecem entre as que mais crescem proporcionalmente. Do outro lado, ocupações baseadas em tarefas manuais, repetitivas ou muito regradas, como caixas, digitadores, auxiliares administrativos, escriturários e operadores de telemarketing, estão entre as que devem perder mais espaço nos próximos anos.
O que muda na prática para o seu negócio
O ponto central não é que as máquinas vão substituir pessoas em massa, mas que as tarefas dentro de cada função estão mudando de perfil. Segundo Rafael Chenta, gerente de Transformação e de Gente e Gestão da Intoo, atividades repetitivas e previsíveis são as mais suscetíveis à automação. Na prática, isso significa que um cargo pode continuar existindo na sua empresa, mas exigindo um perfil mais analítico, consultivo e apoiado por tecnologia do que exigia há poucos anos.
Esse movimento também é puxado pelo comportamento do consumidor: serviços bancários, compras, pagamentos e atendimentos passaram por forte digitalização, reduzindo a necessidade de tarefas antes feitas manualmente ou presencialmente. Se sua empresa ainda opera com processos muito dependentes de rotina manual, é um sinal de que vale revisar funções e fluxos de trabalho.
Vale notar também a diferença entre velocidade de mudança e volume de empregos afetados. Uma profissão pode estar encolhendo rápido proporcionalmente, mas empregar poucas pessoas no total. Já funções que empregam milhões, como caixas e cargos administrativos, podem ter queda proporcional menor, mas afetar um número muito maior de trabalhadores em números absolutos. Essa distinção é útil para você entender onde priorizar esforços de requalificação dentro da sua equipe.
Como se preparar: requalificar antes de substituir
A boa notícia é que a resposta para esse cenário não é necessariamente demissão em massa seguida de novas contratações. Segundo Chenta, experiências anteriores carregam competências que continuam valiosas mesmo quando a função específica muda. Um profissional de atendimento ao cliente, por exemplo, já desenvolveu comunicação e resolução de conflitos, habilidades aproveitáveis em vendas consultivas ou gestão de projetos. Um profissional administrativo leva consigo organização, atenção a detalhes e conhecimento de processos, que servem para outras funções dentro da empresa.
Identifique quais funções da sua empresa dependem de atividades manuais ou baseadas em regras fixas.
Antes de pensar em substituir, veja o que cada profissional já sabe fazer que pode servir em outra função.
Cursos rápidos, certificações e programas de requalificação em dados e IA ajudam sem exigir reinvenção completa.
Negociação, liderança e capacidade de resolver problemas complexos seguem valiosas em qualquer área.
Para quem contrata, essa lógica também importa na hora de avaliar candidatos: diploma recente não é mais garantia de domínio da profissão, já que o mercado muda rápido demais para isso. Vale mais buscar profissionais, e formar os que já estão na equipe, com disposição para aprender continuamente do que apostar em quem acredita ter "terminado" sua formação.
No fim, a segurança da sua empresa diante dessas mudanças não está em escolher o cargo "certo" ou blindado contra a tecnologia, mas em manter um time capaz de se adaptar no mesmo ritmo em que as funções mudam. Isso vale tanto para quem está contratando agora quanto para quem já tem uma equipe formada: o investimento em requalificação tende a custar menos, e gerar menos ruptura, do que recomeçar do zero.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
