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Preço da passagem aérea vai subir? Entenda o impacto do combustível

10/08/2026 18:383 min de leituraAtualizado há 23 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você sentiu que as passagens aéreas estão mais caras nos últimos meses, há um motivo concreto por trás disso. Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) mostra que as companhias do setor gastaram R$ 5,2 bilhões além do previsto com querosene de aviação (QAV) desde 28 de fevereiro, quando começou o conflito entre Estados Unidos e Irã. Esse custo extra ajuda a explicar tanto o reajuste nas tarifas quanto a busca do setor por uma linha de crédito bilionária junto ao governo federal.

O que está encarecendo o combustível

O QAV é reajustado mensalmente pela Petrobras e segue de perto as oscilações do mercado internacional de petróleo. Isso significa que qualquer instabilidade geopolítica, como a que envolve EUA e Irã, tende a se refletir rapidamente no preço pago pelas companhias aéreas brasileiras. Some-se a isso o fato de o combustível ser precificado em dólar: além de acompanhar o petróleo, as empresas ficam expostas à variação cambial, o que amplia o impacto nos custos operacionais.

Segundo a Abear, o preço do QAV acumula alta de 49% desde fevereiro, já contabilizando o reajuste de 1,9% anunciado pela Petrobras em 1º de agosto. Com essa escalada, o combustível passou a representar 39% dos custos totais das companhias aéreas, uma proporção expressiva que reduz margens e pressiona o caixa das empresas do setor.

O tamanho do impacto no caixa das aéreas

O momento mais crítico até agora foi em maio, quando o preço do QAV praticamente dobrou em relação ao período anterior ao conflito. Somente naquele mês, as companhias desembolsaram cerca de R$ 1,6 bilhão adicionais, valor que a Abear compara ao custo de arrendamento de aproximadamente 830 aeronaves. Para você que lida com fornecedores, logística ou orçamento empresarial, é um exemplo prático de como um choque externo pode consumir rapidamente a margem de um setor inteiro.

Diante dessa pressão, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou, em 30 de julho, a liberação de R$ 13,2 bilhões em crédito para as três maiores companhias aéreas do país e para a regional Abaeté Táxi Aéreo. Desse total, R$ 8 bilhões têm destinação específica para capital de giro, ou seja, para ajudar as empresas a manter suas operações do dia a dia enquanto o custo do combustível permanece elevado.

IndicadorValor ou percentual
Gasto extra com QAV desde fevereiroR$ 5,2 bilhões
Alta acumulada do QAV desde fevereiro49%
Participação do QAV nos custos das aéreas39%
Gasto extra somente em maioR$ 1,6 bilhão
Crédito total liberado pelo BNDESR$ 13,2 bilhões
Parcela destinada a capital de giroR$ 8 bilhões
Taxa de juros da linha de crédito4% ao ano
Prazo para contratação do créditoAté dezembro de 2026

O que isso significa para o seu negócio

Se sua empresa depende de viagens frequentes, seja para reuniões, eventos ou logística, é razoável esperar que o custo das passagens continue pressionado enquanto o cenário internacional de petróleo permanecer instável. Empresas que fazem planejamento orçamentário anual devem considerar essa variável ao estimar despesas com deslocamento de equipes, especialmente se o negócio tiver operação em múltiplas regiões do país.

Para quem atua no próprio setor de transporte, turismo ou eventos corporativos, vale acompanhar de perto os próximos reajustes da Petrobras no QAV e o comportamento do dólar, já que ambos são termômetros diretos do preço final das tarifas aéreas. A linha de crédito do BNDES, com taxa de 4% ao ano e prazo estendido até dezembro de 2026, sinaliza que o governo reconhece a gravidade da situação, mas não elimina a pressão de custos que tende a ser parcialmente repassada ao consumidor final.

Na prática, o recado para o gestor é claro: negociar contratos de viagens corporativas com antecedência, buscar tarifas fixas quando possível e manter uma margem de segurança no orçamento para despesas com deslocamento aéreo pode fazer diferença no fechamento das contas nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.