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Por que o Ibovespa caiu e o dólar subiu antes do 2º turno da eleição

22/10/2026 18:484 min de leituraAtualizado há 3 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você acompanha o noticiário econômico para tomar decisões no seu negócio, vale prestar atenção ao que aconteceu nesta quinta-feira nos mercados financeiros. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em queda de 1,15%, aos 204.120,21 pontos. Ao mesmo tempo, o dólar subiu 0,22%, cotado a R$ 5,0384. Por trás desses números está uma combinação de fatores: a proximidade do segundo turno da eleição presidencial, no domingo, e uma onda de cautela nos mercados internacionais, intensificada por tensões no Oriente Médio que empurraram o preço do petróleo para cima.

O que está pressionando o mercado

O principal fator de tensão é a eleição. Pesquisas recentes mostram um cenário de empate técnico entre os candidatos, o que deixa os investidores em compasso de espera. Segundo analistas ouvidos pela reportagem original, o mercado ainda aposta, de forma majoritária, em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro, associando esse resultado a uma maior chance de controle das contas públicas, mesmo sem propostas concretas de ajuste fiscal apresentadas até agora por nenhum dos lados. Essa indefinição gera instabilidade nos preços de ações e na cotação do dólar, já que o mercado financeiro reage rapidamente a qualquer sinal sobre o rumo político do país.

Paralelamente, fatores externos também pesaram. As bolsas americana e europeia caíram, refletindo preocupações com o setor de tecnologia e inteligência artificial. Além disso, o petróleo disparou, com o barril do tipo Brent atingindo a maior cotação em cinco meses, após ataques e tensões envolvendo a Arábia Saudita e o grupo houthi, do Iêmen. Essa combinação de fatores fez com que investidores no mundo todo reduzissem a exposição a ativos considerados de maior risco, como ações de países emergentes, entre eles o Brasil.

O que isso significa para o seu negócio

Para quem administra uma empresa, esses movimentos não são apenas números de telejornal: eles têm efeito direto no dia a dia. A alta do petróleo, por exemplo, tende a pressionar os preços de combustíveis e, por consequência, o custo de transporte e logística. Já a valorização do dólar encarece insumos importados e pode impactar negócios que dependem de matéria-prima ou equipamentos vindos de fora. Mesmo com a alta do dia, é importante notar que o dólar ainda acumula queda de 8,21% no ano, o que mostra que o cenário, apesar da volatilidade recente, não mudou de forma estrutural.

O dia nos mercados em números
-1,15%Ibovespafechou aos 204.120,21 pontos nesta quinta-feira.
R$ 5,0384Dólar à vistaalta de 0,22%, mas ainda com queda de 8,21% no ano.
+4%Petróleo Brentchegou a US$ 113,17 por barril, maior valor em cinco meses.

Setores específicos também sentiram o impacto do dia. Empresas ligadas à mineração e siderurgia, como Vale, CSN, Usiminas e Gerdau, registraram quedas expressivas, refletindo a fraqueza do setor no exterior e dados que mostraram recuo nas vendas de aço no Brasil. Já bancos como Bradesco, Itaú, Santander e BTG Pactual também caíram, em um movimento de cautela generalizada antes da divulgação de balanços financeiros do terceiro trimestre. Esse tipo de informação é relevante para empresas que atuam nessas cadeias produtivas ou que dependem de crédito bancário, já que a instabilidade no setor financeiro pode influenciar condições de empréstimos e investimentos.

Como se preparar diante desse cenário

Diante de um quadro de instabilidade política e econômica, o mais importante para o empresário é evitar decisões precipitadas baseadas em movimentos de um único dia. É natural que o mercado oscile bastante em semanas de eleição, especialmente quando o resultado é incerto. Ainda assim, vale ficar atento a contratos em dólar, custos de combustível e condições de crédito nos próximos dias, já que esses fatores podem continuar voláteis até a definição do resultado eleitoral e a estabilização do cenário internacional.

Mesmo com a queda do dia, o Ibovespa ainda acumula alta de 9,54% no mês, e o investimento estrangeiro em ações brasileiras seguiu forte, com entrada líquida de R$ 20 bilhões em outubro até o dia 20. Isso indica que, apesar da cautela de curto prazo, o capital internacional ainda mantém interesse no Brasil. Para o empresário, o recado prático é: monitore os desdobramentos da eleição e do cenário externo nos próximos dias, mas evite decisões de investimento ou renegociação de contratos baseadas apenas na volatilidade momentânea do mercado.

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