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Por que o avanço da IA pode favorecer o agronegócio e as commodities do Brasil

13/08/2026 15:154 min de leituraAtualizado há 20 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um cenário que vem sendo discutido por especialistas em economia sugere que a próxima década trará inteligência artificial e robótica mais baratas e acessíveis. Isso pode parecer distante da realidade de quem produz soja, café, minério ou celulose, mas o raciocínio é direto: quando um insumo fica mais barato, o valor econômico migra para os outros elos da cadeia que continuam escassos. E é justamente aí que o Brasil, como grande produtor de recursos naturais, pode se destacar.

A lógica é parecida com o que já aconteceu em outros setores: energia elétrica mais barata aumentou a venda de ar-condicionado, e internet mais rápida impulsionou o consumo de streaming. Hoje, o mundo ainda paga caro por inteligência e por manufatura. Se esses custos caírem com o avanço da tecnologia, os ativos físicos escassos, como terra, minérios e alimentos, tendem a ganhar mais importância relativa. Para empresários do agronegócio, da mineração e de setores exportadores, esse é um sinal de que o valor do que eles produzem pode aumentar nos próximos anos.

Por que o Brasil está bem posicionado

O país tem uma participação expressiva na produção mundial de vários insumos essenciais: responde por 40% da soja produzida no mundo, 30% do café, 23% do açúcar, 20% da carne bovina, 18% do minério de ferro, 15% da celulose e 90% do nióbio. Além disso, ocupa posição de destaque em petróleo, milho, algodão, frango e laranja. Poucos países no mundo oferecem essa variedade de insumos essenciais às cadeias produtivas globais.

Mas só ter recursos naturais não basta. O Brasil conta com fatores institucionais importantes para atrair investimento: segurança jurídica razoável, respeito à propriedade privada e eleições democráticas. A comparação com outros países que têm riqueza natural semelhante, mas não conseguem se organizar para aproveitá-la, ajuda a entender por que isso importa. Sem estabilidade institucional, mesmo um país rico em recursos pode afastar investidores e perder oportunidades.

Participação do Brasil na produção mundial
40%da sojamaior produtor mundial do grão.
90%do nióbioposição praticamente dominante no mineral.
18%do minério de ferroinsumo estratégico para a indústria global.

O que isso significa na prática para as empresas

A ideia das vantagens comparativas, defendida há séculos pelo economista David Ricardo, diz que cada país deve se especializar naquilo que produz com mais eficiência em relação aos demais. Nesse raciocínio, o Brasil tem vocação natural para commodities, enquanto outros países se especializam em manufatura ou tecnologia. O problema é que o mundo vive hoje um movimento de desglobalização, com países tentando depender menos uns dos outros por causa de tensões geopolíticas, mesmo que isso signifique abrir mão de eficiência econômica.

Para o empresário brasileiro que exporta commodities, a recomendação prática é dupla: sempre que possível, agregar valor ao produto antes de exportá-lo, em vez de vender apenas a matéria-prima bruta, e melhorar a logística de escoamento. Isso porque parte do valor da commodity se perde no caminho até o porto ou até o cliente final, especialmente quando o transporte depende de rodovias. O transporte ferroviário custa cerca de 50% menos que o rodoviário, e o hidroviário é ainda mais barato. No futuro, caminhões autônomos podem reduzir essa diferença de custo, já que rodarão 24 horas por dia sem motorista, mas o investimento em asfaltamento e sinalização de rodovias continua sendo necessário.

Como se preparar

Toda redução de custo logístico se transforma diretamente em lucro para quem produz. Por isso, empresas ligadas a commodities, do produtor rural ao exportador, devem acompanhar de perto investimentos em infraestrutura de transporte e buscar alternativas mais eficientes de escoamento sempre que disponíveis. Também vale investir em tecnologias que aumentem a produtividade da operação, já que a produção brasileira de commodities não deve ser substituída pela inteligência artificial ou pela robótica, mas sim beneficiada por elas.

No fim das contas, o cenário é favorável, mas não automático. Manter a estabilidade institucional e a credibilidade fiscal do país depende de decisões que vão além do controle de cada empresa individualmente. O que fica ao alcance do gestor é se preparar para aproveitar esse momento: investir em eficiência, reduzir perdas logísticas e buscar formas de agregar valor ao que produz antes de vender. O futuro tende a ser diferente do passado, e quem se antecipar a essas mudanças estará mais preparado para colher os resultados.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.