Por que cada geração confia em algo diferente para resolver o clima
04/10/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 57 minutos
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Uma discussão que pode parecer distante da rotina do seu negócio na verdade carrega um recado direto para quem lida com investidores, consumidores e equipes de diferentes idades: a confiança na tecnologia como solução para os problemas climáticos está diminuindo conforme as gerações ficam mais jovens. Isso inverte uma expectativa comum e tem implicações práticas para empresas que dependem de reputação ambiental, captação de recursos ou relacionamento com public jovem.
O que muda
A ideia de que os mais jovens, por serem "nativos digitais", confiariam mais em soluções tecnológicas para o clima não se confirma. Pelo contrário: boomers cresceram vendo leis ambientais funcionarem na prática, com rios e ar mais limpos após políticas públicas concretas. Essa experiência criou a crença de que basta identificar um problema, aprovar uma lei e esperar a solução vir do governo.
Já os millennials entraram no movimento climático em um momento de otimismo com a tecnologia limpa, embalados pelo Acordo de Paris. Mas essa confiança está perdendo força: as metas climáticas internacionais não estão sendo cumpridas, e o crescimento da inteligência artificial aumenta o consumo de energia justamente quando seria necessário reduzir emissões.
A geração Z, que cresceu totalmente imersa no ambiente digital, é hoje a mais cética em relação à tecnologia como salvação. Para essa geração, a frustração não é dirigida de forma genérica a gerações mais velhas, mas sim a um grupo específico: bilionários, tecnocratas e setores ligados a combustíveis fósseis que lucram mantendo o cenário atual.
Quem é afetado
Esse descompasso de confiança importa diretamente para empresas que desenvolvem, financiam ou são reguladas por políticas climáticas. Se o público mais jovem desconfia de promessas tecnológicas isoladas, discursos corporativos baseados apenas em inovação futura tendem a perder credibilidade com esse público, seja como consumidores, investidores ou colaboradores.
Há também uma questão de poder concentrado por idade: boomers ainda predominam no Congresso, em conselhos de administração e na riqueza disponível para investimento. A geração X segue com pouca presença em cargos de liderança nacional, e os millennials só agora começam a ocupar posições executivas e de vice-presidência. Isso cria uma divisão clara: quem controla o capital é mais velho, e quem pressiona por mudanças, por meio de mobilizações e campanhas, é mais jovem.
Geração mais confiante em soluções
- Boomers: confiam em leis e no papel do governo
- Millennials: apostaram no otimismo da tecnologia limpa
Geração mais cética
- Geração X: viu indicadores piorarem ao longo da vida adulta
- Geração Z: desconfia até de líderes de tecnologia como solução única
Como se preparar
Para empresas, o recado prático é que discursos de sustentabilidade apoiados apenas em "a próxima grande inovação vai resolver" tendem a soar vazios, principalmente para públicos mais jovens. Uma alternativa discutida é trocar o discurso de escassez e sacrifício por um discurso de abundância: ar limpo, transporte público eficiente, soluções que tragam benefício concreto e visível, não apenas promessas futuras.
Vale lembrar que o equilíbrio atual de poder, com gerações mais velhas controlando capital e gerações mais jovens pressionando por mudança, não deve durar para sempre. À medida que millennials e geração Z assumirem mais posições em conselhos, carteiras de investimento e cargos de decisão, a cobrança deve mudar de "qual é a próxima inovação" para "quem está disposto a mudar a forma de operar agora".
Negócios que já começarem a demonstrar mudanças concretas, e não apenas promessas tecnológicas, tendem a estar mais preparados para esse novo cenário de cobrança, tanto por parte de investidores quanto de consumidores mais jovens.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
