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Por que a Marinha dos EUA vai gastar US$ 5,1 bi em um porta-aviões

03/10/2026 14:104 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um contrato de US$ 5,1 bilhões foi fechado entre a Marinha dos Estados Unidos e a Newport News Shipbuilding, empresa do grupo Huntington Ingalls Industries, para realizar uma reforma completa no porta-aviões USS Harry S. Truman. O valor bilionário mostra como manter uma frota de guerra operando por décadas custa caro, e o caso serve de referência para entender como grandes projetos de longo prazo são planejados, contratados e monitorados, algo que interessa a qualquer gestor que lide com obras ou investimentos de grande porte.

O trabalho, chamado de Reabastecimento e Revisão Complexa, é considerado o momento mais crítico na vida útil de um porta-aviões da classe Nimitz. Isso porque envolve a troca do combustível dos dois reatores nucleares da embarcação, além de uma modernização completa de equipamentos, sistemas eletrônicos e estrutura interna. Na prática, o navio precisa ser parcialmente desmontado e depois remontado, um processo tão extenso que representa cerca de 35% de todo o gasto de manutenção que a embarcação terá ao longo de sua vida.

O que está incluído no serviço

Além da troca de combustível nuclear, a reforma vai atualizar sistemas de propulsão, equipamentos de combate, estrutura de moradia da tripulação e milhares de componentes e tanques do navio. Também serão feitos reparos em danos causados por uma colisão do porta-aviões com um navio de carga em fevereiro de 2025, próximo ao Canal de Suez, que atingiu uma plataforma do convés e rasgou partes da estrutura externa. Esse conserto havia sido adiado por conta de outros compromissos do estaleiro, mas agora será incorporado ao pacote geral de serviços.

Esse é o primeiro contrato desse tipo assinado após a criação de um novo órgão da Marinha americana, responsável por centralizar a gestão de projetos navais do início ao fim. A ideia por trás dessa mudança administrativa é reduzir burocracia, acelerar entregas e dividir melhor os riscos entre o governo e a empresa contratada. O modelo de contrato escolhido prevê um teto de gastos combinado com incentivos financeiros para a empresa cumprir os prazos combinados, uma estratégia que busca evitar os problemas enfrentados em reformas anteriores.

Uma lição cara do passado

O principal exemplo negativo que a Marinha quer evitar é o caso do porta-aviões USS George Washington, cuja reforma começou em 2017 e deveria ter sido concluída em prazo bem menor, mas se estendeu por quase seis anos, quase o tempo necessário para construir um porta-aviões do zero. Parte do atraso foi causada pela pandemia, mas o problema também trouxe consequências humanas graves: marinheiros moraram dentro do próprio canteiro de obras ou em embarcações de apoio, enfrentando ruído, deslocamentos longos e condições precárias. Nove marinheiros tiraram a própria vida durante esse período, um dado que levou a Marinha a revisar suas práticas de moradia, segurança e apoio psicológico durante reformas longas.

O caso em números
US$ 5,1 bivalor do contratocusto para reabastecer e modernizar o USS Harry S. Truman.
35%do ciclo de vidaparcela do gasto total de manutenção do navio concentrada nesta etapa.
2.117 diasduração do caso anteriortempo de reforma do USS George Washington, quase dois anos além do previsto.
Nov/2031previsão de entregadata estimada para o USS Harry S. Truman voltar à frota.

Para evitar repetir esse cenário, a Marinha decidiu transferir uma parcela maior do trabalho para empresas terceirizadas, liberando parte da tripulação para treinamentos técnicos, estudos ou outras funções durante o período em que o navio estiver fora de operação. Ainda assim, muitos marinheiros continuarão a bordo, acompanhando de perto a modernização e ganhando experiência prática sobre os novos sistemas que estão sendo instalados.

O USS Harry S. Truman foi entregue à Marinha em 1998 e, após a conclusão da reforma prevista para novembro de 2031, deve se tornar o porta-aviões mais avançado tecnologicamente de sua classe. O navio já iniciou, em novembro de 2025, uma fase preparatória para organizar a tripulação e a estrutura antes do início efetivo dos trabalhos.

Para empresários e gestores, o episódio reforça um ponto prático importante: contratos de longo prazo, por mais robustos que sejam em planejamento, dependem de boa gestão de riscos, acompanhamento constante de cronograma e atenção às condições das equipes envolvidas. O custo de um atraso não é apenas financeiro, mas também humano e reputacional, lição que vale tanto para projetos bilionários quanto para operações de qualquer porte.

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