Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um grupo brasileiro do setor avícola decidiu apostar fichas no Paraguai. A Pluma, empresa sediada em Dois Vizinhos, no Paraná, vai investir US$ 50 milhões (cerca de R$ 252,6 milhões) na construção de uma unidade de produção de ovos férteis e pintinhos de um dia no município paraguaio de Yhú, em Caaguazú. Para você que atua no agronegócio ou acompanha o setor, o movimento mostra como empresas brasileiras estão ampliando operações em países vizinhos para ganhar escala e reduzir custos logísticos.
A unidade terá capacidade de produzir seis milhões de ovos férteis por mês e deve gerar 180 empregos diretos na região. Esses ovos e pintinhos são insumos essenciais para o funcionamento das granjas, etapa inicial de toda a cadeia que termina no abate e na exportação de carne de frango. Até agora, o Paraguai dependia fortemente de fornecedores externos para esses insumos, o que representava um risco para quem opera granjas no país: qualquer interrupção no abastecimento internacional poderia travar a produção local.
O que muda na cadeia avícola
Com a entrada em operação do complexo da Pluma, a estimativa do setor é que o Paraguai consiga produzir localmente cerca de 90% de sua necessidade de ovos férteis e pintinhos. Isso significa menos dependência de fornecedores estrangeiros e mais previsibilidade para quem depende desses insumos para crescer. Na prática, é o tipo de investimento que destrava outros elos da cadeia: produtores de milho e soja usados em ração, transportadores e prestadores de serviços também devem sentir o efeito, já que a expansão das granjas aumenta a demanda por esses insumos e serviços locais.
A operação não fica isolada. A estratégia do setor divide responsabilidades entre diferentes empresas: a Pluma cuida da produção de ovos férteis e pintinhos, as granjas ficam responsáveis pela fase de engorda das aves, e empresas como JBS e Pollpar entram no processamento e na comercialização. Esse tipo de integração é comum em cadeias produtivas que buscam ganhar eficiência: cada empresa se especializa em uma etapa, e o resultado final é uma produção mais robusta e com menos gargalos.
Por que isso interessa a empresas brasileiras
Vale lembrar que a JBS voltou a operar no Paraguai em outubro de 2025, sete anos depois de ter vendido seus ativos de carne bovina no país para a Minerva. O retorno aconteceu justamente pelo setor avícola, com a compra da marca Pollos Amanecer. A empresa já anunciou que sua unidade no país vai alcançar capacidade de processar 100 mil aves por dia depois de uma ampliação. Isso mostra que o interesse brasileiro na avicultura paraguaia não é um caso isolado, mas parte de uma movimentação maior de grupos nacionais buscando espaço em um mercado em expansão.
O momento também é favorável para quem exporta frango a partir do Paraguai. Dados do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal do país mostram que, até agosto de 2026, os embarques de produtos avícolas já superavam 10.600 toneladas, com receita de quase US$ 13 milhões. Esses números representam um crescimento de 57% em volume e 69% em receita em relação ao ano anterior, em um contexto que inclui a abertura de novos mercados compradores, como Taiwan. Para empresas brasileiras com operação no país vizinho, esse crescimento das exportações significa mais oportunidades de negócio e justifica os investimentos em ampliar a capacidade produtiva.
O que ficar de olho
Apesar do otimismo, o próprio vice-ministro da Indústria do Paraguai, Javier Viveros, pondera que transformar o país no principal polo avícola da América Latina exige mais do que aumentar a produção de insumos. É preciso fortalecer todos os elos da cadeia, da capacidade de abate à autorização sanitária para novos mercados de exportação, passando pela expansão das granjas. Se você tem negócios ligados a esse setor, seja como fornecedor, prestador de serviço ou parceiro comercial, vale acompanhar como essas etapas avançam, já que o ritmo de expansão real vai depender da integração entre esses diferentes elos, e não apenas do volume de investimento anunciado.
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