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PIB do 2º trimestre: o que esperar e como isso afeta sua empresa

31/08/2026 17:244 min de leituraAtualizado há 2 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Nesta terça-feira (1º), o IBGE divulga o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao segundo trimestre do ano. As projeções de instituições financeiras indicam que a economia brasileira continuou crescendo, mas em ritmo mais fraco do que nos três primeiros meses de 2025, quando o avanço foi de 1,1%. Para quem administra um negócio, esse número funciona como um termômetro: mostra se o consumo, o crédito e a produção estão de fato desacelerando, o que ajuda a calibrar decisões de investimento, contratação e estoque para o segundo semestre.

O que os analistas esperam

As estimativas do mercado variam entre 0,3% e 0,5% de crescimento na comparação com o primeiro trimestre. O Inter projeta alta de 0,3%, a Lev espera 0,35% e a XP trabalha com 0,4%, revisando para baixo uma estimativa anterior de 0,5%. O ASA apresenta a projeção mais otimista entre as instituições privadas, com 0,5%. Já o Ministério da Fazenda mantém uma visão mais favorável, apontando expansão de 0,8%, ainda que essa conta tenha sido feita antes da divulgação de indicadores mais recentes sobre a atividade econômica.

Mesmo nos cenários mais otimistas, o resultado representa uma desaceleração em relação ao início do ano. Segundo a XP, os serviços devem seguir crescendo, mas em ritmo mais fraco, enquanto a indústria deve avançar de forma desigual entre seus setores. A agropecuária pode registrar a segunda alta seguida, puxada principalmente pela produção de soja. Para o economista Leonardo Costa, do ASA, o resultado deve confirmar um esfriamento da economia, coerente com a perda de força observada nos últimos meses.

Projeções para o PIB do 2º trimestre
0,3% a 0,5%faixa das estimativas privadasInter, Lev, XP e ASA calculam crescimento nessa faixa ante o 1º trimestre.
0,8%projeção do governoEstimativa mais otimista, feita pelo Ministério da Fazenda.
1,1%crescimento no 1º trimestreBase de comparação, favorecida pela agropecuária e indústria extrativa.

Por que os juros pesam no seu negócio

A explicação para essa desaceleração está, em boa parte, nos juros altos. A política monetária restritiva encarece o crédito, o que reduz o poder de compra do consumidor e desestimula investimentos das empresas. Os economistas esperam que esse efeito fique ainda mais visível ao longo do segundo semestre. O Inter, por exemplo, já projeta estabilidade da economia no terceiro trimestre, com variação de 0% em relação ao período anterior. Na prática, isso significa que empresas que dependem de crédito para capital de giro ou expansão podem sentir mais dificuldade nos próximos meses, com juros mais altos e demanda mais fraca.

Outro ponto de atenção é o cenário externo. Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, a Selic em patamar restritivo, as incertezas internacionais e as pressões sobre o petróleo ajudam a conter o crescimento. As barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos também entram como um risco adicional para o segundo semestre, embora não afetem diretamente o resultado do PIB de abril a junho que será divulgado agora.

O que muda para 2026 e 2027

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (31) com base em 28 de agosto, trouxe uma revisão para baixo da expectativa de crescimento em 2026: a mediana das projeções caiu de 1,95% para 1,92%, ante 1,99% há quatro semanas. Entre as instituições, as estimativas variam de 1,8% (Inter e Santander) a 2% (ASA, XP, Bradesco e BTG Pactual), com o Itaú BBA em 1,9%. O governo segue mais otimista, mantendo a previsão de crescimento de 2,3% para este ano, com expectativa de avanços de 2,4% nos serviços, 2,1% na indústria e 1,8% na agropecuária.

Para 2027, o cenário projetado pelo mercado é de crescimento ainda mais fraco: a mediana do Focus está em 1,5%, com estimativas que vão de 1% (XP) a 1,8% (Inter), passando por 1,1% (BTG Pactual), 1,3% (Santander) e 1,5% (Itaú BBA e Bradesco). O número de 2,56% usado pelo governo no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias não deve ser comparado diretamente a essas projeções, pois foi elaborado em abril e não reflete os dados mais recentes da economia.

Para o seu planejamento, o recado é claro: o crescimento da economia deve seguir perdendo fôlego nos próximos trimestres, com juros altos pesando sobre crédito, consumo e investimento. Vale a pena revisar projeções de vendas, negociar prazos com fornecedores e clientes com mais cautela, e evitar comprometer o caixa com dívidas caras enquanto a Selic permanecer em patamar restritivo. Acompanhar os próximos boletins do Focus e os indicadores setoriais pode ajudar a antecipar ajustes na operação antes que o cenário se torne mais apertado.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.