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Peixaria vira boutique: o modelo do Marabôca que triplicou faturamento

01/09/2026 14:473 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Um negócio recente em São Paulo está chamando atenção não só pelo produto que vende, mas pelo modelo que criou em torno dele. O Marabôca, peixaria aberta há menos de três meses na Alameda Lorena, combina venda de pescados com cozinha e atendimento de restaurante. O resultado, até agora, é um crescimento acelerado que pode servir de inspiração para empresários de outros setores que enfrentam o desafio de vender produtos frescos, perecíveis e pouco padronizados.

A ideia surgiu de uma necessidade real dos próprios fundadores, Tommy Klajner e Alan Finguerman, ambos formados em gastronomia e com experiência em restaurantes renomados. Eles perceberam que, mesmo tendo acesso a bons fornecedores no trabalho, encontravam dificuldade para comprar peixe de qualidade para consumo próprio. Essa dor pessoal virou tese de negócio: criar uma peixaria com curadoria, rastreabilidade e experiência de compra, nos moldes do que já aconteceu com açougues que viraram boutiques de carne premium.

O que muda no modelo de negócio

Diferentemente de uma peixaria tradicional, o Marabôca aposta em ambiente agradável, produtos vendidos por peso sem quantidade mínima e serviço consultivo. A equipe orienta o cliente sobre qual peixe combina com a receita que ele pretende preparar, e itens como polvo já chegam cozidos e porcionados, prontos para consumo. Essa combinação de venda e conveniência atraiu um público diverso, que vai de quem busca apenas alguns itens para o jantar até quem monta combinados sofisticados com ostras, uni e ikura.

Um ponto estratégico do negócio é a relação direta com fornecedores. Em vez de depender do atacado tradicional, os sócios compram diretamente de embarcações, usando os mesmos canais de fornecimento de restaurantes japoneses de alto padrão. Isso garante produtos como atum bluefin do Rio Grande do Norte, normalmente destinado à exportação, além de peixes menos conhecidos do litoral paulista.

Crescimento em números
79%aumento de clientesDe 1.500 no mês de abertura para 2.700 em julho.
80%crescimento no faturamentoNo mesmo período de comparação com o mês inicial.
R$ 300ticket médioO dobro do que os sócios esperavam inicialmente.

Um dado chama atenção especial: apesar de se definirem como peixaria, e não restaurante, 80% do faturamento do Marabôca vem do consumo no local, enquanto apenas 20% corresponde à venda de peixe para levar para casa. Os próprios sócios admitem que não esperavam essa proporção, mas reforçam que não pretendem se posicionar como restaurante. Para quem lidera negócios, esse é um lembrete importante: a experiência oferecida pode gerar receita relevante mesmo quando não é o foco original do modelo.

Como a dupla pensa em crescer

Com apenas oito funcionários, o Marabôca já se aproximou de R$ 1 milhão em receita em menos de um trimestre de operação, um volume que despertou planos concretos de expansão. A estratégia, porém, não é abrir lojas grandes, mas manter unidades pequenas para preservar o padrão de atendimento. Bairros como Moema, Vila Nova Conceição e Higienópolis, este último com possibilidade de uma unidade kosher, estão entre os cotados para novas lojas.

Além da expansão física, os sócios avaliam criar um centro de distribuição capaz de abastecer as futuras unidades e, no futuro, sustentar uma operação própria de delivery, incluindo kits prontos inspirados em churrasco, mas com pescados. Também está nos planos montar uma empresa de beneficiamento de pescado em Vitória, no Espírito Santo, para ganhar mais controle sobre a origem e a qualidade do produto. A ideia é caminhar para uma verticalização completa do negócio, da captura do peixe até a venda final ao consumidor.

Para empresários de outros segmentos, o caso do Marabôca ilustra como identificar uma lacuna real de mercado, mesmo em setores tradicionais, pode abrir espaço para um modelo de negócio diferenciado. Investir em curadoria, atendimento consultivo e experiência do cliente, sem perder o foco original do negócio, tem se mostrado um caminho eficaz para crescer rápido e sustentar esse crescimento com planejamento de expansão controlado.

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