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Os 30 maiores bilionários dos EUA em 1918 e o tamanho da fortuna deles hoje

03/10/2026 11:383 min de leituraAtualizado há 1 dia

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Muito antes de existir a famosa lista Forbes 400, criada em 1982, a revista já tentava mapear quem eram os americanos mais ricos. Em 1918, o fundador B.C. Forbes consultou banqueiros do país para montar um ranking das 30 maiores fortunas dos Estados Unidos. O resultado é uma fotografia curiosa de uma época bem diferente, mas que ajuda a entender como a riqueza se transformou ao longo de mais de 100 anos, e por que isso ainda importa para quem acompanha negócios e economia hoje.

No topo da lista estava John D. Rockefeller, dono da Standard Oil, mesmo depois de a empresa ter sido fragmentada em 34 companhias menores por decisão judicial, em 1911. Ainda assim, ele mantinha um patrimônio de US$ 1,2 bilhão, quantia tão expressiva para a época que seria suficiente para dar uma pequena quantia em dinheiro a cada habitante dos Estados Unidos. Em segundo lugar vinha Henry Frick, que fez fortuna discretamente nos setores de coque e aço, seguido por Andrew Carnegie, magnata do aço que já havia doado boa parte de seu dinheiro por acreditar que enriquecer sem retribuir à sociedade era motivo de vergonha.

Como era a concentração de riqueza em 1918

Somadas, as 30 maiores fortunas da época chegavam a cerca de US$ 3,7 bilhões, em um momento em que uma família americana comum ganhava menos de US$ 2.000 por ano. Para dar dimensão a isso, todo o dinheiro em circulação no país somava menos de US$ 5 bilhões, ou seja, se essas 30 pessoas pudessem converter tudo o que tinham em espécie, dariam conta de engolir mais de dois terços de todo o dinheiro físico existente nos Estados Unidos naquele momento. É um nível de concentração que ajuda a explicar por que aquele período ficou conhecido como a era dos grandes magnatas industriais.

O que mudou até hoje

Passado mais de um século, o cenário é outro, mas a desigualdade entre topo e base, de certa forma, aumentou ainda mais. As 30 pessoas mais ricas dos Estados Unidos atualmente somam juntas US$ 4,4 trilhões, o equivalente a 50 vezes a riqueza do grupo de 1918, mesmo depois de corrigir os valores pela inflação. Um exemplo chama atenção: em valores ajustados, Elon Musk, que chegou a ser considerado brevemente a primeira pessoa trilionária do mundo, é cerca de 30 vezes mais rico do que Rockefeller era na época.

Da fortuna de 1918 aos bilionários de hoje
US$ 3,7 bisoma das 30 maiores fortunas em 1918valor histórico, sem ajuste pela inflação.
US$ 4,4 trisoma das 30 maiores fortunas hoje50 vezes mais riqueza que em 1918, mesmo após ajuste pela inflação.
70%+dos integrantes atuais da Forbes 400construíram a própria fortuna, em vez de herdar.

Outro ponto que chama atenção é de onde vem o dinheiro. Em 1918, cerca de dois terços das maiores fortunas vinham da fabricação de produtos ou da extração de matérias-primas, como petróleo, aço e carne. Hoje, metade dos integrantes da lista mais recente enriqueceu nos setores financeiro ou de tecnologia, incluindo diversos empresários ligados à inteligência artificial, que estão remodelando a economia da mesma forma que o petróleo e o aço fizeram há mais de um século.

Também vale notar que a permanência das famílias no topo mudou bastante. Muitos dos sobrenomes de 1918, como Ford, Astor e Vanderbilt, simplesmente não aparecem mais entre os super-ricos atuais. Mesmo a fortuna dos Rockefeller, uma das maiores da história americana, acabou dividida entre dezenas de herdeiros, nenhum deles hoje com patrimônio individual superior a US$ 1 bilhão. Isso mostra que fortunas muito concentradas tendem a se diluir com o tempo, seja por herança, por concorrência ou pela própria dinâmica do mercado.

Para você, empresário ou gestor, essa comparação histórica serve como lembrete prático: setores dominantes mudam, fortunas construídas sobre um único modelo de negócio podem perder relevância em décadas, e a capacidade de se reinventar costuma pesar mais do que o tamanho do patrimônio em um momento específico. Acompanhar para onde a riqueza e a inovação estão migrando, hoje claramente para tecnologia e inteligência artificial, pode ajudar na hora de pensar em investimentos, parcerias e no posicionamento do seu próprio negócio no longo prazo.

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