Operação contra garimpo ilegal envolve Receita Federal: o que aconteceu
19/08/2026 06:373 min de leituraAtualizado há 15 dias
Fonte: Receita Federal · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Receita Federal participou, nesta terça-feira, 18/08/2026, de uma grande operação conjunta com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para desmontar um esquema suspeito de extração e venda ilegal de ouro. A ação, batizada de Operação Solo Sagrado, cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão em Mato Grosso e Rondônia, além de bloquear sigilos bancários e fiscais e sequestrar bens dos investigados.
Embora o caso envolva garimpo ilegal, ele interessa a qualquer empresário porque mostra, na prática, como os órgãos de fiscalização vêm cruzando dados bancários, fiscais e digitais para identificar movimentações financeiras incompatíveis com a atividade declarada por pessoas e empresas. Esse tipo de cruzamento de informações é cada vez mais comum e pode afetar negócios que, mesmo sem relação com crimes, apresentem inconsistências entre o que declaram e o que realmente movimentam.
O que a investigação descobriu
Segundo os dados apurados, apenas um dos núcleos financeiros investigados movimentou mais de R$ 20 milhões entre 2022 e 2025. Além disso, foram identificados mais de R$ 3,5 milhões recebidos por meio de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais, o que, segundo a investigação, pode ter servido para dificultar o rastreamento da origem e do destino desses recursos.
De acordo com a apuração, o esquema funcionava de forma articulada: o ouro era comprado diretamente de garimpeiros ou intermediários e, em seguida, passava por diferentes agentes até chegar a empresas formalmente constituídas no mercado de minérios. Há indícios de que cooperativas teriam sido usadas para dar aparência de origem legal ao ouro extraído ilegalmente, permitindo sua venda como se fosse um produto regular.
A investigação também apontou uma logística robusta para manter as frentes de exploração em funcionamento, com uso de escavadeiras hidráulicas, caminhões-prancha, combustível, peças e oficinas. Foram identificadas dezenas de operações financeiras ligadas à compra de combustível em valores compatíveis com o abastecimento de máquinas de mineração. Em uma fiscalização na Terra Indígena Sararé, uma escavadeira de uma das empresas investigadas foi flagrada em plena atividade de garimpo ilegal, apreendida e inutilizada no local, resultando em multa administrativa superior a R$ 3 milhões.
Por que isso importa para empresas
O papel da Receita Federal na operação foi analisar o patrimônio e as informações fiscais dos investigados, comparando a movimentação financeira real com o que havia sido declarado por eles e por suas empresas. Esse é justamente o tipo de análise que qualquer empresa pode sofrer quando existe descompasso entre faturamento declarado, movimentação bancária e patrimônio. Manter a contabilidade organizada e compatível com a realidade financeira do negócio é a melhor forma de evitar questionamentos desse tipo.
A ação envolveu 10 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão preventiva, autorizados pela Justiça Federal em Cáceres/MT, com participação de 6 auditores-fiscais e 7 analistas-tributários da Receita Federal. O objetivo, segundo os órgãos envolvidos, é interromper o fluxo financeiro da suposta organização, reunir provas, identificar novos participantes e recuperar valores obtidos com a exploração ilegal de recursos minerais.
Para o empresário, o episódio reforça um ponto prático: quanto mais integrados os sistemas de fiscalização, maior a chance de inconsistências fiscais e financeiras serem identificadas, mesmo em operações que pareçam distantes do seu setor. Manter as declarações fiscais alinhadas à movimentação bancária real da empresa, e contar com assessoria contábil qualificada, é uma forma segura de evitar problemas com o Fisco.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
