Onde os super-ricos investem com juros altos? BTG lidera nova disputa
31/07/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 34 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário ou gestor de um patrimônio relevante, vale entender um movimento que está redesenhando o mercado de gestão de fortunas no Brasil. O BTG Pactual saltou de cerca de R$ 45 bilhões para aproximadamente R$ 130 bilhões em ativos administrados por sua operação de multifamily office em pouco mais de um ano. O crescimento veio, principalmente, da compra das operações brasileiras do Julius Baer e da área de wealth management da JGP, que juntas somaram cerca de R$ 78 bilhões em ativos incorporados. Depois dessas aquisições, o patrimônio continuou crescendo de forma orgânica até o volume atual.
Esse avanço não acontece isolado. Ele reflete um cenário em que criar riqueza nova no Brasil está mais difícil, e a disputa entre bancos e gestoras passou a girar em torno de conquistar clientes uns dos outros. Entender essa dinâmica ajuda você a avaliar melhor as opções disponíveis para proteger e organizar seu próprio patrimônio, seja ele empresarial ou familiar.
O que está por trás desse crescimento
O pano de fundo é um mercado de capitais brasileiro pouco ativo. Em 2026, a B3 teve uma abertura de capital em maio, a primeira desde 2021. Os follow-ons, ofertas de empresas que já são listadas, somaram apenas R$ 4 bilhões no primeiro semestre de 2025 e só voltaram a crescer neste ano, alcançando R$ 22 bilhões. Some a isso uma Selic em 14,25% ao ano e juros reais de 9,67%, um dos patamares mais altos do mundo. O resultado é um ambiente com poucos eventos de liquidez para empresários e famílias de alta renda, o que reduz a criação de patrimônio novo e aumenta a briga pelos clientes já existentes entre as instituições financeiras.
Na prática, isso significa que bancos e gestoras estão investindo pesado para atrair famílias que já têm dinheiro investido em outro lugar, oferecendo estruturas mais completas, atendimento personalizado e acesso a mercados internacionais. Se você concentra seu patrimônio em uma única instituição, é um bom momento para comparar o que está sendo oferecido no mercado, especialmente em serviços de planejamento sucessório e diversificação.
Expansão internacional muda o jogo
Outro ponto que chama atenção é o quanto o BTG ampliou sua estrutura fora do Brasil para acompanhar clientes que também diversificam geograficamente. O banco passou a operar com licença bancária própria na Europa, com base em Luxemburgo desde 2023, e nos Estados Unidos, depois da compra do M.Y. Safra Bank em Nova York e da aprovação do Federal Reserve e do OCC no fim de 2025. Também reforçou presença no Uruguai, com a aquisição das operações locais do HSBC, e mantém equipes de gestão patrimonial no Chile e na Colômbia. Esse movimento começou a partir de 2020, quando parte da base de clientes passou a transferir residência fiscal para fora do Brasil, sobretudo para Portugal e Espanha.
O efeito colateral é que a base de clientes deixou de ser só brasileira: hoje, 20% dos clientes atendidos pela operação europeia do banco não são brasileiros nem latino-americanos, muitos indicados por empresários daqui que passaram a fazer negócios no exterior. Para quem pensa em internacionalizar parte do patrimônio ou dos negócios, isso mostra que a estrutura de bancos brasileiros para atender esse público está amadurecendo rapidamente, o que pode facilitar esse tipo de planejamento.
Como isso se traduz em serviço para diferentes patrimônios
O BTG organiza o atendimento por faixas de patrimônio, o que ajuda a entender em que ponto sua empresa ou família se encaixaria em uma estrutura desse tipo.
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