O Futuro Sobre Rodas: Os Carros Vão Ficar Mais Caros Com a Reforma Tributária?

Se você lida com compra, venda ou renovação de frota na sua empresa, uma pergunta já deve estar na sua cabeça: os carros vão ficar mais caros com a Reforma Tributária? A resposta direta é: depende. Não existe um efeito único para todos os veículos. O resultado final no preço vai variar conforme o tipo de combustível, a eficiência energética e até a origem do carro, nacional ou importado.
Hoje, um veículo zero-quilômetro carrega uma carga tributária que fica entre 30% e 36% do valor final, resultado da soma de cinco tributos diferentes: IPI, ICMS, PIS, Cofins e ISS. Essa colcha de retalhos é justamente o que a reforma promete acabar, substituindo esses impostos por um modelo mais simples, baseado em IVA Dual.
O que muda na tributação dos carros
Com a transição em andamento, os cinco tributos atuais vão desaparecer aos poucos e dar lugar a três novas cobranças: a CBS, de competência federal, o IBS, que fica com estados e municípios, e o IS, o chamado Imposto Seletivo, criado para taxar mais pesado produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A soma estimada de CBS e IBS gira em torno de 26,5%, um percentual menor do que a carga total que incide hoje sobre boa parte dos veículos. Olhando isoladamente para esse número, haveria espaço para os carros a combustão ficarem até um pouco mais baratos.
O detalhe que muda esse cenário é a entrada dos veículos automotores na lista de produtos sujeitos ao Imposto Seletivo. A justificativa apresentada foi avaliar o ciclo de vida completo do produto, incluindo a reciclagem e o descarte de baterias, o que acabou colocando carros elétricos e híbridos também na mira dessa sobretaxa, algo que pegou o mercado de surpresa.
Quem é mais afetado
A alíquota do Imposto Seletivo não é fixa: ela varia conforme critérios como eficiência energética e nível de emissão de carbono do veículo. Na prática, isso significa que carros a combustão bem eficientes tendem a sentir menos o impacto dessa cobrança extra. Já os híbridos e elétricos importados, que já enfrentam hoje um Imposto de Importação de até 35%, correm o risco de perder competitividade justamente por causa do acréscimo do Imposto Seletivo somado a essa taxação de entrada.
Isso cria um cenário curioso: carros populares e modelos flex fabricados no Brasil com boa eficiência tendem a manter os preços estáveis, ou até apresentar leve redução, beneficiados pela simplificação da cadeia do IVA. Por outro lado, quem projetava investir em eletrificação puxado por preços mais atrativos pode precisar rever os planos, já que a combinação de Imposto de Importação com o novo Imposto Seletivo tende a encarecer essas tecnologias.
Prazos da transição
A mudança não acontece de uma vez. A transição tributária é gradual e vai se estender até 2033. Neste momento, o mercado está em fase de teste, com alíquotas simbólicas de apenas 1% para calibrar o sistema (0,9% de CBS e 0,1% de IBS). O impacto de verdade nas notas fiscais só deve começar a aparecer a partir de 2027, quando o PIS e a Cofins deixam de existir e o Imposto Seletivo passa a valer oficialmente.
Um ponto que merece atenção, especialmente se sua empresa lida com revenda de veículos: a venda de carros usados entre pessoas físicas continua isenta de IBS e CBS. Isso deve preservar o mercado de segunda mão de repasses diretos desses novos tributos, o que pode ser uma variável relevante na hora de decidir entre comprar zero-quilômetro ou seminovo para a frota.
Como se preparar
Diante de um cenário que ainda vai se desenhando até 2027 e se consolidar somente em 2033, o melhor caminho para o seu negócio é acompanhar de perto cada etapa da transição antes de tomar decisões de compra, renovação de frota ou precificação de veículos, caso sua empresa atue no setor automotivo. Um planejamento tributário bem feito ajuda a identificar oportunidades, antecipar impactos no caixa e evitar surpresas quando as alíquotas cheias entrarem em vigor. Se você tem dúvidas sobre como essas mudanças vão afetar especificamente a sua operação, o momento certo de se organizar é agora, enquanto a transição ainda está em curso.
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