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Nubank bate US$ 1 bi de lucro no trimestre: o que isso muda para clientes e mercado

13/08/2026 18:484 min de leituraAtualizado há 20 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

O Nubank fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 1,06 bilhão, o primeiro trimestre da história do banco digital a superar a marca de US$ 1 bilhão. O resultado representa crescimento de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 17% frente ao primeiro trimestre deste ano. Para quem acompanha o setor financeiro ou é cliente da instituição, o número confirma que o modelo de banco totalmente digital, sem agências físicas, se consolidou como um negócio de grande escala e rentabilidade.

O fundador e CEO global, David Vélez, associou o resultado à tese que deu origem ao banco há 13 anos: a de que um banco construído sobre tecnologia, sem a estrutura tradicional de agências, poderia atender um grande volume de pessoas a um custo bem menor. Segundo ele, essa ideia deixou de ser uma aposta e passou a ser uma realidade comprovada nos números.

O que mostram os números

Além do lucro recorde, o Nubank encerrou junho com 138,9 milhões de clientes, crescimento de 13% em um ano. O Brasil concentra a maior parte dessa base, com quase 118 milhões de clientes. No México, o banco tinha 15,8 milhões de clientes ao fim do trimestre e chegou a 16 milhões em julho. Na Colômbia, a marca ultrapassou 5 milhões de clientes.

A receita total gerencial somou US$ 5,88 bilhões, alta de 39% em um ano, enquanto o lucro bruto cresceu 43%, para US$ 2,44 bilhões. A receita média mensal por cliente ativo chegou a US$ 17,1, um avanço de 22% na comparação anual. O crédito também ganhou peso: a carteira total do banco alcançou US$ 39,4 bilhões, expansão de 37% em 12 meses, sendo US$ 26 bilhões em cartões e US$ 10,3 bilhões em crédito sem garantia.

Nubank em números no 2º trimestre
US$ 1,06 bilucro líquidoalta de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior.
138,9 milhõesclientes totaiscrescimento de 13% em um ano, em Brasil, México e Colômbia.
33%retorno sobre patrimônioindicador de rentabilidade do banco no período.

Um ponto de atenção é a inadimplência. Os atrasos entre 15 e 90 dias recuaram de 5% para 4,8% no trimestre, mas os atrasos acima de 90 dias subiram de 6,5% para 6,9%. O Nubank explicou que essa alta está relacionada principalmente à migração sazonal de atrasos que já haviam começado no primeiro trimestre, e não a uma piora geral da carteira de crédito.

Expansão no México e novos públicos no Brasil

Um dos destaques do trimestre foi o avanço do Nubank no México. Neste mês, a empresa iniciou sua operação como banco múltiplo no país, após receber a autorização necessária. Isso permite oferecer produtos que antes não eram possíveis, como depósitos e crédito em maior escala. Segundo a companhia, o Nu já é o maior banco digital do México, com 16 milhões de clientes.

No Brasil, o banco também está mirando novos públicos dentro da própria base de clientes. Depois de lançar o Ultravioleta, voltado à alta renda, a empresa criou em julho o Croma, destinado a um público que chama de "super core", formado por pessoas com renda entre três e dez salários mínimos. A ideia, segundo Vélez, é aumentar o número de clientes que concentram toda a sua vida financeira dentro do banco, o que tende a gerar mais receita por cliente ao longo do tempo.

O papel da inteligência artificial

A inteligência artificial aparece como parte central da estratégia futura do banco. O Nubank vem desenvolvendo um modelo próprio, chamado NuFormer, usado para analisar comportamento financeiro e apoiar decisões de crédito, atendimento e crescimento. O sistema já está em uso em carteiras de cartão no Brasil e no México, e também em crédito sem garantia no Brasil. Segundo a empresa, agentes de inteligência artificial já respondem por mais de 60% das conversas de atendimento no país.

Para empresários e gestores que acompanham o mercado financeiro, o desempenho do Nubank funciona como um termômetro do apetite por crédito e da confiança do consumidor em serviços digitais. O crescimento da carteira de crédito, combinado com o avanço para públicos de renda mais alta e a expansão internacional, indica que o banco segue buscando maior participação na vida financeira de seus clientes, tanto pessoas físicas quanto, potencialmente, pequenas empresas que utilizam seus serviços.

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