Nova escola de IA sem faculdade: o que empresários devem observar
27/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um empresário de tecnologia que ajudou a criar dois modelos diferentes de ensino online decidiu apostar justamente no oposto: uma escola presencial. Gagan Biyani, cofundador da Udemy e da Maven, está lançando a Horowitz Andreessen Academy (HAA), um programa de formação voltado para jovens interessados em inteligência artificial e criação de produtos. A novidade não é apenas curiosidade de mercado: ela mostra uma tendência que pode chegar também ao Brasil, de repensar como as empresas vão encontrar e formar talentos na era da IA.
O que é essa nova escola
A HAA é uma alternativa à faculdade tradicional, sem oferecer diploma universitário ou créditos acadêmicos. Ela está sendo incubada pela empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, que investiu cerca de R$ 180 milhões no projeto. A sede fica em São Francisco, nos Estados Unidos, e a instituição busca autorização para funcionar junto ao órgão californiano que fiscaliza escolas privadas de ensino superior.
A primeira turma, prevista para o segundo semestre de 2027, deve reunir cerca de 50 estudantes, com duração de um ano e sem cobrança de mensalidade. A partir de 2028, o programa passa a durar dois anos e passa a cobrar valores parecidos com os de universidades privadas de elite.
Por que isso interessa a quem contrata e forma pessoas
O ponto central da proposta de Biyani não é ensinar apenas a usar ferramentas de inteligência artificial, mas mudar a forma de pensar dos estudantes. Segundo ele, a IA permite que qualquer pessoa produza mais e com menos recursos, o que ele chama de era do "fazer infinito". Na prática, isso significa que, quanto mais a tecnologia avança, mais valor ganham habilidades que a máquina não substitui: iniciativa, capacidade de resolver problemas por conta própria e, principalmente, relacionamento interpessoal.
Para empresários e gestores, essa lógica é um alerta importante: contratar bem no futuro pode depender menos de diplomas e mais de comprovação prática do que a pessoa já fez. A HAA busca justamente candidatos com "provas concretas" de realizações, e não apenas boas notas ou formação acadêmica tradicional.
O modelo pedagógico também chama atenção. Em vez de aulas expositivas, provas e notas, o programa é estruturado em torno de projetos autodirigidos, chamados de "Pursuits", e experiências profissionais reais. Os alunos passarão pelo menos três meses trabalhando em tempo integral dentro de empresas parceiras, como Anthropic, Google, Meta, Nvidia, OpenAI, Palantir e Stripe. Essas companhias vão ajudar a definir o currículo, oferecer tecnologia e proporcionar aprendizado prático dentro das próprias operações.
O que isso significa para o seu negócio
Mesmo sendo um projeto ainda distante da realidade brasileira, o caso ilustra um movimento maior: grandes empresas de tecnologia estão apostando pesado em formar talentos fora do sistema tradicional de ensino, com foco em prática, autonomia e habilidades humanas. Isso é um sinal para quem lidera equipes e pensa em contratação: vale observar candidatos que demonstrem capacidade de execução e relacionamento, além do currículo formal.
Biyani também deixa claro que a proposta não é incentivar o abandono da faculdade. Segundo ele, a maioria dos jovens ainda deve seguir o caminho universitário tradicional, e a HAA é apenas uma alternativa para um grupo pequeno e específico de estudantes. Para as empresas, a lição prática é acompanhar essas experiências como um laboratório de tendências: o que hoje é teste em uma escola nos Estados Unidos pode, em poucos anos, influenciar critérios de contratação e formação de equipes também por aqui, especialmente em áreas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial.
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