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Netflix admite falhas nos EUA e corta meta de publicidade para 2026

21/10/2026 11:433 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

A Netflix divulgou seus resultados do terceiro trimestre e, junto com os números, veio um reconhecimento importante: a empresa precisa melhorar sua atuação no mercado americano. A declaração foi feita pelo co-CEO Ted Sarandos, cinco dias depois de a empresa anunciar a troca na diretoria de conteúdo, com Peter Rice, ex-executivo da Disney, assumindo o cargo antes ocupado por Bela Bajaria.

Para quem acompanha o mercado de streaming e mídia, ou negocia com grandes plataformas de conteúdo e publicidade digital, o episódio mostra que mesmo empresas consolidadas revisam suas estratégias quando os números não avançam no ritmo esperado. Entender esse movimento ajuda a enxergar tendências que também afetam decisões de investimento em publicidade online e parcerias comerciais.

O que muda

Segundo Sarandos, não é necessária uma mudança completa de estratégia, mas sim uma execução melhor nos Estados Unidos. Ele afirmou que o catálogo lançado este ano teve desempenhos sólidos, porém sem grandes sucessos capazes de repetir o impacto em outros países. Já o co-CEO Greg Peters classificou o engajamento do público americano como sólido, mas reconheceu que a empresa "pode fazer melhor".

Outro ponto de atenção foi a receita com publicidade. A Netflix reduziu sua projeção para 2026 de US$ 3 bilhões para US$ 2,7 bilhões, uma queda de US$ 300 milhões. Apesar disso, o crescimento da receita com assinaturas superou as expectativas da empresa, o que ajudou a compensar o resultado.

Números do terceiro trimestre
US$ 12,87 bireceita trimestralalta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
34,6%margem operacionalacima da projeção de 33,2% prevista pela empresa.
US$ 2,7 biprojeção de publicidade para 2026redução de US$ 300 milhões frente à meta anterior.

Quem é afetado

A mudança de comando no conteúdo afeta diretamente produtoras, estúdios e criadores que negociam projetos com a Netflix nos Estados Unidos. Peter Rice assume o cargo em 26 de outubro e terá a missão de atrair e reter talentos criativos em um mercado competitivo, segundo Sarandos. Os primeiros meses de Rice serão marcados por um catálogo que ele não escolheu, incluindo títulos como "East of Eden", "The Further Mis-Adventures of Cliff Booth" e a temporada final de "Emily in Paris".

Para empresas que investem em publicidade digital, o recuo na projeção de receita publicitária da Netflix é um sinal a observar. O diretor financeiro Spence Neumann afirmou que o negócio de publicidade ainda cresce mais de 80% neste ano e que a demanda geral segue forte, mas os atrasos na implementação de novas ferramentas e na integração com parceiros atrasaram parte dessa expansão.

Já o mercado indiano foi citado como exemplo de sucesso: as horas de visualização no país cresceram 24% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, impulsionadas pelo reality show "Lock Upp". A Índia também registrou o maior aumento trimestral de assinantes pagos da Netflix, com receita crescendo 18% em base neutra de câmbio.

Como se preparar

Para gestores e empresários que lidam com contratos de mídia, publicidade ou produção audiovisual, o momento pede atenção redobrada às mudanças de liderança e prioridades da Netflix. A empresa sinalizou que cerca de 95% dos investimentos continuam concentrados no núcleo de séries, filmes e eventos ao vivo, deixando formatos como vídeos curtos em estágio inicial de teste.

Vale lembrar que a projeção de margem operacional para o quarto trimestre, de 26%, já incorpora o impacto de cortes de pessoal anunciados recentemente pela empresa. Quem negocia parcerias ou acompanha o setor de streaming deve monitorar os próximos resultados para entender se a troca de comando no conteúdo e os ajustes na área de publicidade trarão o reforço de execução que a Netflix prometeu entregar nos Estados Unidos.

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