Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você acompanha o mundo dos negócios além do noticiário financeiro tradicional, vale observar o que está acontecendo com os times da NBA. Em 2026, o valor médio das 30 franquias da liga de basquete americana chegou a US$ 6,1 bilhões, um salto de 14% em relação ao ano anterior e de 147% desde 2021. Para quem administra uma empresa, esse tipo de valorização acelerada é um case interessante sobre como ativos de entretenimento e mídia podem se transformar em investimentos extremamente rentáveis quando combinam marca forte, audiência fiel e contratos de longo prazo bem estruturados.
O exemplo mais claro dessa lógica está nas vendas recentes de franquias. Mark Walter negociou a venda do Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões, menos de um ano depois de ter pago US$ 10 bilhões pelo time, o equivalente a um retorno anual de 25%. Movimento parecido ocorreu com o Minnesota Timberwolves: o bilionário Marc Lore, que havia pago US$ 1,5 bilhão em 2021, concordou em vender sua participação por US$ 4,5 bilhões, mantendo o mesmo patamar de retorno. Esses números mostram como ativos considerados "alternativos" vêm se tornando atraentes para investidores que buscam valorização rápida e consistente.
Quem está no topo do ranking
O Golden State Warriors segue na liderança do ranking de times mais valiosos pelo quinto ano seguido, agora avaliado em US$ 13,5 bilhões, alta de 23%. Logo atrás vem o New York Knicks, com US$ 12,6 bilhões e crescimento de 29%, ultrapassando novamente o Lakers na comparação financeira. Apenas dois clubes de qualquer outro esporte do mundo superam ou empatam com esse patamar: o Dallas Cowboys e o Los Angeles Rams, ambos da NFL americana. Isso reforça como o basquete profissional se consolidou entre os negócios esportivos mais valiosos do planeta, ao lado do futebol americano.
Outro dado que chama atenção é o valor mínimo de entrada na liga: hoje, nenhum time vale menos de US$ 4 bilhões, e o preço mínimo para comprar uma franquia subiu 167% em cinco anos. Isso significa que mesmo os times considerados "menores" da NBA se tornaram ativos extremamente caros, um reflexo direto do apetite crescente de investidores institucionais e bilionários por participação na liga.
O que explica esse crescimento
Parte dessa valorização vem de um contrato nacional de transmissão fechado pela liga, com duração de 11 anos e valor de US$ 76 bilhões, cuja primeira temporada começou em 2025-26. Esse tipo de acordo garante previsibilidade de receita por mais de uma década, o que torna os times mais atraentes para investidores que buscam segurança no longo prazo. Além disso, a receita de patrocínio e publicidade cresceu 14% no último ano, e o público nas arenas da liga ultrapassou 22 milhões de pessoas na temporada regular, atingindo 97% da capacidade das arenas pela quarta vez na história. Por outro lado, nem tudo é só crescimento. A transmissão local de jogos enfrenta um problema real: o colapso de uma operadora de redes esportivas regionais deixou 16 times sem contrato de TV local nos últimos anos, derrubando a receita média desses clubes com direitos de mídia de US$ 40 milhões para apenas US$ 13 milhões por temporada. A liga já reagiu contratando um executivo específico para cuidar desse problema e estuda reunir os direitos de transmissão de pelo menos 20 times em uma plataforma de streaming própria a partir de 2027-28.
Há ainda uma possível nova fonte de receita no horizonte: a expansão da liga para novas cidades. A NBA deve decidir ainda este ano se vai criar novos times, com Las Vegas e Seattle como principais candidatas. Relatos indicam que a taxa de entrada de uma nova franquia em Las Vegas pode chegar a US$ 9 bilhões ou US$ 10 bilhões, sem contar o custo de uma nova arena. Se isso acontecer, os atuais 30 proprietários da liga podem receber pagamentos extras significativos, já que esse tipo de taxa costuma ser dividida entre os donos existentes.
O que isso diz sobre o mercado de ativos esportivos
Para quem gerencia negócios fora do esporte, o caso da NBA ilustra um movimento mais amplo: ativos ligados a entretenimento, mídia e experiências ao vivo estão sendo precificados com múltiplos cada vez mais altos. A avaliação média dos times da NBA hoje equivale a 13,1 vezes a receita anual de cada clube, um salto frente às 8,6 vezes de quatro anos atrás, e supera os múltiplos de ligas como NHL, MLS e MLB. Isso mostra como investidores estão dispostos a pagar mais por negócios com audiência fiel, contratos de longo prazo e potencial de expansão internacional, mesmo quando o lucro operacional de cada empresa, no caso, cada time, ainda é relativamente modesto perto do valor total do ativo.
No fim das contas, o movimento da NBA funciona como um termômetro para quem acompanha tendências de investimento: marcas fortes, contratos de mídia bem negociados e capacidade de atrair público (físico ou digital) continuam sendo os principais motores de valorização, seja no esporte, seja em qualquer outro setor que dependa de audiência e reputação para crescer.
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