Não Posso Retroceder, Diz Rodrigo Stefanini sobre Ser Herdeiro da Gigante de Tecnologia Fundada Pelo Pai

A Stefanini, gigante brasileira de tecnologia fundada em 1987, vive um momento de transição de comando. Rodrigo Stefanini, filho do fundador Marco Stefanini, assumiu em novembro de 2024 a presidência da empresa para América Latina e Espanha e, em março de 2026, passou a acumular interinamente a operação brasileira. A companhia encerrou 2025 com faturamento de R$ 8,4 bilhões e projeta crescer mais de 15% neste ano. Mais do que uma troca de executivos, o episódio traz lições valiosas para qualquer empresário que lida com sucessão familiar, pressão tributária e a corrida pela inteligência artificial dentro do próprio negócio.
O que está em jogo na sucessão
Rodrigo não chegou ao cargo por decreto. Antes de assumir posições na empresa da família, ele passou por companhias como Morgan Stanley, Bain & Company e Xpeed (escola de educação financeira da XP), além de ter atuado no Peru e na Colômbia. Entrou na Stefanini em 2021 para liderar a operação no Chile, ampliou a responsabilidade para Argentina e depois para todo o Cone Sul. Segundo a empresa, a receita da unidade chilena quadruplicou nos três primeiros anos sob sua gestão. É esse histórico que ele usa para justificar a ascensão, mesmo reconhecendo abertamente os privilégios de ter nascido dentro de uma família empresária.
Para negócios familiares de qualquer porte, o caso ilustra um dilema recorrente: como separar competência de sobrenome. Rodrigo é direto ao dizer que resultados anteriores não garantem sucesso na etapa seguinte, e que a cobrança sobre quem carrega o nome da empresa costuma ser maior, não menor. Ele também defende um ponto que vale para qualquer sucessão: construir equipes que não dependam de poucas pessoas insubstituíveis, reduzindo o risco de a empresa parar caso o líder falhe ou saia.
Reorganização para crescer com integração
Depois de fazer cerca de 40 aquisições ao longo de sua história, a Stefanini reorganizou o portfólio em 2025, agrupando as empresas compradas em sete unidades de negócio: Technology, Cyber, Data & Analytics, Financial Tech, Marketing, Manufacturing e Operations. A ideia é deixar de ser vista como uma simples prestadora de serviços de TI e se posicionar como consultoria integrada, oferecendo ao cliente um único ponto de contato para diferentes necessidades tecnológicas, modelo conhecido como one-stop shop.
Esse movimento tem relação direta com a inteligência artificial, presente em todas as sete unidades. A empresa entrou nesse mercado há cerca de 15 anos, com a compra da startup Woopi, e passou a incorporar essa experiência ao restante do portfólio depois da popularização dos modelos generativos. Rodrigo relata que clientes que resistiam a projetos mais inovadores agora procuram a empresa com urgência, temendo perder competitividade para concorrentes que já adotam IA de forma mais agressiva. Esse é um alerta útil para qualquer gestor: a decisão de adotar novas tecnologias deixou de ser estratégica e passou a ser, em muitos setores, questão de sobrevivência.
O que mais preocupa: câmbio e carga tributária
Apesar de a Stefanini ter crescido 20% na receita no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, Rodrigo aponta o cenário macroeconômico como o principal risco para manter a projeção de expansão entre 15% e 16% no ano. A exposição a diferentes moedas, por conta da operação em 104 países, deixa os resultados vulneráveis a decisões políticas e de bancos centrais em qualquer parte do mundo, não apenas no Brasil.
No cenário nacional, ele cita a situação fiscal, o endividamento e o aumento das recuperações judiciais como sinais de alerta. A crítica mais direta é ao uso recorrente de aumento de impostos como resposta à necessidade de arrecadação. Segundo ele, elevar a carga sobre empresas já fragilizadas pode ter efeito contrário ao pretendido: quando o negócio quebra, deixa de pagar qualquer imposto, o que é pior do que arrecadar menos de uma empresa que continua funcionando.
Esse ponto tem impacto direto sobre pequenos e médios negócios, que respondem por boa parte dos empregos no país e trabalham com margens mais estreitas do que as grandes companhias. Restaurantes, cafés e lojas, segundo Rodrigo, têm menos fôlego para absorver aumento de custos e queda no consumo, o que os torna mais expostos a esse tipo de pressão tributária e econômica.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Faturamento em 2025 | R$ 8,4 bilhões |
| Crescimento previsto para 2026 | Entre 15% e 16% |
| Crescimento no 1º trimestre de 2026 | 20% |
| Presença global | 104 países, 35 mil profissionais |
Para o empresário que acompanha esse tipo de notícia, o recado prático é claro: mesmo empresas grandes e em expansão colocam o ambiente fiscal e cambial no topo da lista de riscos, o que reforça a import
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