Messi Investe em Rede Argentina Que Quer Levar a Milanesa Ao Mundo

Uma rede de restaurantes argentina especializada em milanesas está no centro das atenções depois que Lionel Messi se tornou sócio igualitário do negócio. Mas por trás da repercussão esportiva, há um caso de gestão empresarial que merece atenção de qualquer empresário brasileiro: uma empresa que cresceu por quase duas décadas sem depender de bancos, financiando sua expansão quase inteiramente com recursos próprios.
O El Club de la Milanesa nasceu em 2007, de uma loja de 90 metros quadrados aberta com o dinheiro de uma indenização trabalhista. Hoje, a rede tem cerca de 70 unidades na Argentina, além de operações no Uruguai e nos Estados Unidos, e já vendeu mais de 40 milhões de milanesas. A entrada de Messi como sócio, formalizada há um ano e anunciada publicamente em julho de 2025, marcou o início da maior onda de investimentos da história da empresa.
Crescimento sem dívida: uma lição de gestão financeira
O ponto que mais chama atenção no case é a disciplina de caixa. A empresa está investindo cerca de US$ 6 milhões no último ano, somando a construção de uma nova fábrica e a abertura de três lojas próprias. Desse total, 90% saiu do caixa da própria companhia, com apenas um pequeno empréstimo bancário como dívida. Para um gestor brasileiro, isso é um recado direto: expansão acelerada não precisa significar endividamento acelerado. Empresas que constroem reserva de capital ao longo do tempo ganham liberdade para investir justamente quando o cenário econômico fica mais favorável para quem tem caixa, e mais difícil para quem depende de crédito.
A nova fábrica, em construção na região de Tigre, é o símbolo dessa estratégia. Ela vai substituir a unidade atual, de 1.000 metros quadrados, por uma estrutura de 5.000 metros quadrados, multiplicando por dez a capacidade de produção. Hoje a empresa produz entre 400 mil e 500 mil milanesas por mês; a meta com a nova planta é chegar a pelo menos 5 milhões de unidades mensais. O investimento na fábrica soma cerca de US$ 4 milhões.
| Indicador | Situação atual | Meta com nova fábrica |
|---|---|---|
| Área da fábrica | 1.000 m² | 5.000 m² |
| Produção mensal | 400 mil a 500 mil unidades | Até 5 milhões de unidades |
| Capacidade de armazenamento | Base atual | Cerca de 20 vezes maior |
| Investimento na planta | Aproximadamente US$ 4 milhões |
Diversificação de receita e expansão internacional
Outro movimento estratégico que vale observar é a diversificação de canais. Até agora, o negócio vivia basicamente dos restaurantes. Mas um dado interno da empresa mostra que apenas uma em cada dez milanesas consumidas na Argentina é vendida em restaurante; as outras nove são preparadas em casa, em um mercado sem marca de referência. Por isso, antes do fim do ano, a rede vai lançar uma linha de milanesas para consumo doméstico, começando pela plataforma de delivery PedidosYa Market. É um exemplo claro de como identificar um hábito de consumo já existente e criar um produto novo para atender essa demanda, em vez de tentar mudar o comportamento do cliente.
A expansão geográfica também segue uma lógica de negócio bem definida. Nos Estados Unidos, a marca já opera em Miami, com um quiosque dentro do estádio do Inter Miami e uma nova loja em Weston, além de outra prevista para os próximos meses. No Uruguai, abriu uma segunda unidade em Montevidéu em janeiro e planeja mais uma ou duas ainda este ano. Na Europa, a aposta é a Espanha, com a primeira loja prevista para Castelldefels, perto de Barcelona, seguida de outras unidades na Catalunha. A escolha não é aleatória: segundo os fundadores, na Espanha e em boa parte da Europa a milanesa já é um produto conhecido, o que reduz o esforço e o custo de educar o consumidor sobre um item novo no cardápio.
O que empresários podem aproveitar desse case
Para quem administra um negócio no Brasil, seja um restaurante, uma indústria ou uma rede de franquias, três lições práticas se destacam. A primeira é a importância de manter reserva financeira própria para crescer sem depender de dívida cara, especialmente em momentos de juros altos ou instabilidade econômica. A segunda é a atenção à sustentabilidade como diferencial competitivo: a empresa afirma estar há mais de quatro anos sem usar plástico em seus pontos de venda e projeta que a nova fábrica opere com resíduo zero, incluindo geração própria de energia e reúso de água, algo que hoje também é levado em conta por consumidores e parceiros comerciais no Brasil. A terceira é o valor da auten
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