Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O setor de inteligência artificial no Brasil vive um paradoxo que interessa diretamente a quem gerencia empresas hoje. De um lado, a presença feminina na área técnica de tecnologia cresce em ritmo acelerado. De outro, a liderança de startups e o acesso a investimento continuam concentrados nas mãos de homens. Para gestores que já usam ou pretendem adotar ferramentas de IA no negócio, entender esse cenário não é uma pauta apenas social: é uma questão de qualidade, segurança e competitividade das soluções que chegam até você.
O caso da neurocientista paranaense Daniele de Mari ilustra bem esse momento. Depois de ter a pesquisa interrompida nos Estados Unidos por causa da pandemia, ela voltou ao Brasil e, em 2021, fundou com um sócio a Neurogram, empresa que usa inteligência artificial para organizar dados neurológicos complexos. No ano passado, a startup captou R$ 23 milhões de fundos de investimento, um sinal de que o mercado está disposto a apostar em iniciativas lideradas por mulheres quando elas chegam com um produto sólido.
Quem está por trás desse avanço
Os números mostram um crescimento real na base técnica. Em 2025, o setor de tecnologia formou 21 mil profissionais mulheres, um aumento de 32,4% em apenas um ano. Segundo a Brasscom, entidade que representa o setor, a participação feminina já chega a 39,1% da força de trabalho em tecnologia. É um avanço expressivo, especialmente numa área que exige rigor técnico para lidar com uma tecnologia que muda decisões de negócio em tempo real.
Executivas ouvidas pela reportagem original defendem que essa presença feminina não é só uma questão de representatividade, mas de qualidade do produto final. Sandra Vaz, presidente da Red Hat Brasil, argumenta que a tecnologia ganha escala real quando existe protagonismo feminino, porque uma visão mais plural ajuda a evitar que sistemas repliquem preconceitos do passado. Na prática, isso significa menos risco de a sua empresa usar uma ferramenta de IA com viés embutido, algo que pode gerar problemas reputacionais e até jurídicos quando o sistema toma decisões automatizadas sobre clientes, crédito ou contratação.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Novas profissionais de TI formadas em 2025 | 21 mil |
| Crescimento em relação ao ano anterior | 32,4% |
| Participação feminina na força de trabalho de TI | 39,1% |
| Captação da Neurogram em rodada recente | R$ 23 milhões |
O gargalo que ainda persiste
Se a base técnica está mais equilibrada, o topo da pirâmide continua desigual. Flavia Neves, fundadora da Mosaic.ai e membro da Associação Brasileira de Inteligência Artificial, resume que o desafio nunca foi capacidade técnica, e sim o acesso a posições de liderança e ao empreendedorismo. Um levantamento da Forbes Brasil sobre as dez startups nacionais de IA com potencial para captar até US$ 100 milhões em 2026, concentradas em áreas como SaaS, logística, agronegócio e saúde, mostra que essa lista ainda é dominada por fundadores homens, mesmo com quase 40% das vagas técnicas ocupadas por mulheres.
Esse descompasso tem consequência direta para quem administra um negócio: se as empresas que criam os algoritmos usados no mercado não têm diversidade em seus times de decisão, o risco de viés nos sistemas aumenta. Roberta Piozzi, diretora da Brasscom, alerta que essa sub-representação em cargos estratégicos limita o potencial de inovação do país e pode fazer o Brasil perder relevância no cenário global de tecnologia, o que afeta diretamente a competitividade das empresas brasileiras que dependem de soluções nacionais de IA.
Por que isso importa para o seu negócio
O Fórum Econômico Mundial, em relatório de janeiro de 2026, chamou atenção para um risco mais amplo: mais de 60% das economias em desenvolvimento ainda não têm infraestrutura digital ou regras claras para aproveitar os ganhos de produtividade da inteligência artificial. A falta de investimento em data centers e em formação especializada pode transformar países como o Brasil em meros consumidores de tecnologia estrangeira, em vez de protagonistas na criação dessas ferramentas. Para empresas brasileiras, isso significa depender cada vez mais de soluções desenvolvidas fora do país, com menos controle sobre como esses sistemas foram treinados e quais critérios usam para tomar decisões.
Paula Souto Tempelaars, cofundadora da entidade Women in AI, reforça que ampliar a diversidade nas equipes que criam algoritmos não é apenas uma pauta de inclusão, mas uma estratégia de negócio: soluções construídas por times mais plurais tendem a ser mais robustas e a considerar cenários que passariam despercebidos em grupos homogêneos. Isso é especialmente relevante para gestores que estão ava
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