Mudança em térmicas da Eneva pode baratear conta de luz até 2030
21/09/2026 14:013 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um acordo em discussão no Tribunal de Contas da União (TCU) pode mudar a forma como três usinas termelétricas da Eneva funcionam e, com isso, reduzir a conta de energia paga por empresas e consumidores no mercado regulado. As estimativas apontam economia entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3,2 bilhões entre 2026 e 2030, valores que aparecem em uma proposta apresentada pela própria Eneva ao governo federal.
O que está em jogo
Hoje, três usinas da Eneva (UTE Maranhão III, UTE MC2 Nova Venécia 2 e UTE Azulão II e IV, que juntas somam 1,2 gigawatt de potência) são obrigadas a operar de forma praticamente contínua, independentemente de o sistema elétrico precisar ou não dessa energia naquele momento. A proposta em discussão muda essa lógica: as usinas passariam a ser acionadas apenas quando realmente fossem necessárias, a critério do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Essa flexibilidade tem um efeito prático importante. O sistema elétrico brasileiro lida cada vez mais com oscilações na geração de fontes renováveis, como vento e sol, e isso tem levado a cortes de energia limpa quando há sobra no sistema. Usinas mais flexíveis ajudam o ONS a equilibrar melhor a oferta e a demanda, reduzindo esse desperdício. Segundo análise do próprio ONS, a mudança poderia evitar cortes equivalentes a 215 megawatts médios de geração.
De onde vem a economia
A redução de custos aconteceria principalmente pela diminuição de encargos cobrados na conta de luz, como o ESS e o Coner, que hoje ajudam a bancar o custo de manter essas usinas ligadas o tempo todo. Com o novo modelo, as térmicas passariam a ser despachadas por mérito econômico ou por necessidade real de segurança do sistema, usando como referência um custo variável de R$ 760 por megawatt-hora.
Duas instituições calcularam o potencial de economia: a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) chegou a R$ 1,7 bilhão, enquanto a consultoria PSR projetou R$ 3,2 bilhões, sempre considerando o período entre 2026 e 2030. Ambos os números constam em documento enviado pelo Ministério de Minas e Energia à Aneel, que foi chamada a opinar sobre o tema antes da decisão final do TCU.
Um ponto importante da proposta é a chamada neutralidade tarifária: a ideia é garantir que a mudança não gere custo extra para as distribuidoras de energia. Se houver algum custo adicional no mercado de curto prazo (o chamado mercado spot) por causa da nova forma de operação, esse valor seria pago pela própria Eneva, não repassado à conta do consumidor.
Quem é afetado e quando
Na prática, quem paga conta de luz no mercado regulado, ou seja, a maior parte de empresas e residências atendidas por distribuidoras, é quem pode sentir o efeito dessa mudança no bolso, por meio da redução de encargos embutidos na tarifa. Para empresas com operação intensiva em energia, esse tipo de ajuste no setor elétrico tende a refletir, ainda que indiretamente, em custos operacionais ao longo dos próximos anos.
Caso o acordo seja aprovado, a nova regra começaria a valer em julho de 2027. A data não é aleatória: segundo o documento da Eneva, esse é o período em que se concentra o maior volume de geração obrigatória das térmicas e também a chamada "safra" dos ventos, momento em que a flexibilização traria o maior benefício possível em termos de redução de cortes de energia. A discussão sobre o acordo deve ser concluída ainda neste mês, conforme os prazos definidos pelo TCU.
Para gestores e empresários, o recado prático é: fique de olho nos próximos desdobramentos dessa negociação, já que decisões regulatórias como essa tendem a impactar, ainda que de forma gradual, a composição da tarifa de energia elétrica nos próximos anos. Um acompanhamento contábil e financeiro atento ajuda a antecipar esses reflexos no planejamento de custos do seu negócio.
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