Movida (MOVI3): lucro dobra, mas ação cai; entenda os números
20/08/2026 16:114 min de leituraAtualizado há 13 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Movida, uma das maiores empresas de locação de veículos do país, divulgou lucro líquido de R$ 136 milhões no segundo trimestre de 2026, valor 101% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. O número também superou em 15% a expectativa média do mercado. Mesmo assim, as ações da companhia caíram 3,57% no pregão, cotadas a R$ 6,48 no fim da tarde, enquanto o Ibovespa se manteve praticamente estável. Esse contraste entre um resultado forte e uma queda na bolsa costuma chamar atenção de quem acompanha o setor e serve de termômetro sobre como o mercado está avaliando o futuro da empresa, não apenas o passado.
O que mostram os números do balanço
A receita líquida total da Movida somou R$ 3,77 bilhões, um avanço de 2,4% em relação ao ano anterior. O principal motor desse crescimento foi o negócio de locação de veículos, que cresceu 21,3%, chegando a R$ 2,3 bilhões. Já a venda de carros seminovos, outra frente importante da empresa, teve queda de 17,7%, para R$ 1,47 bilhão. Isso mostra uma mudança de composição: a empresa está ganhando mais com aluguel e menos com a revenda de frota usada.
O EBITDA, indicador que mede a geração de caixa operacional antes de despesas financeiras e contábeis, somou R$ 1,69 bilhão, um crescimento de 22,3%. O lucro operacional (EBIT) avançou 29,3%, para R$ 1,02 bilhão. A margem EBITDA das operações de aluguel, que mostra a eficiência do negócio principal, ficou em 72,8%, um ponto percentual acima do ano anterior. Esses são sinais de que a operação está mais rentável, mesmo com a queda na venda de seminovos.
Aluguel de carros puxa o resultado
No segmento de aluguel de curto prazo, usado por quem loca carros para viagens ou uso pontual, o volume de diárias cresceu 22% e a tarifa média subiu 7%, chegando a R$ 165. A taxa de ocupação dos veículos, ou seja, o percentual da frota efetivamente alugada, aumentou 2,1 pontos percentuais, para 76,2%. Já na gestão e terceirização de frotas, serviço voltado a empresas que preferem terceirizar a administração de seus veículos, a receita cresceu 15,5%, para R$ 1,15 bilhão. O backlog, que representa os contratos já fechados mas ainda não totalmente executados, saltou 40,4%, para R$ 9,83 bilhões, indicando receita garantida para os próximos períodos.
A frota total da Movida encerrou junho com 286 mil veículos, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. O retorno sobre o capital investido, indicador que mostra quanto a empresa consegue gerar de retorno para cada real aplicado no negócio, alcançou 16,7%, avanço de quatro pontos percentuais em 12 meses. Esse tipo de dado costuma ser observado de perto por investidores e credores, já que indica se a expansão da frota está sendo bem aproveitada financeiramente.
Por outro lado, a dívida líquida da companhia chegou a R$ 17,2 bilhões, com alavancagem de 2,66 vezes o EBITDA. Se considerado o EBITDA anualizado do trimestre, esse indicador cairia para 2,46 vezes. Esse é justamente o ponto que costuma pesar na avaliação de investidores sobre empresas do setor de locação, que dependem de financiamento para comprar veículos: mesmo com lucro crescendo, o nível de endividamento é um fator de atenção constante.
O que a empresa espera para os próximos meses
Para o terceiro trimestre de 2026, a Movida projeta lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões. O ponto médio dessa faixa representa o dobro do valor registrado no mesmo período de 2025. Para o acumulado de janeiro a setembro, a expectativa da empresa é de R$ 400 milhões em lucro, um crescimento de 85% em relação ao ano anterior. São projeções que reforçam a trajetória de melhora operacional observada neste balanço.
Para quem administra uma empresa, especialmente as que dependem de frota própria ou terceirizada, esse tipo de resultado ajuda a entender o momento do setor de locação de veículos: aumento de demanda por aluguel, tarifas mais altas e maior ocupação da frota. Já para quem acompanha o mercado de ações, o episódio mostra que um balanço positivo não garante alta imediata no preço da ação, já que fatores como nível de endividamento e expectativas futuras também entram na conta do investidor.
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