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Mercado de proteínas: por que vender saúde não é o mesmo que entregar saúde

06/10/2026 05:053 min de leituraAtualizado há 4 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você empreende no setor de alimentos, suplementos ou bem-estar, vale observar de perto um movimento que vem ganhando força nas gôndolas: a proteína virou argumento de venda até em produtos que nada têm a ver com vida fitness, como refrigerante, salgadinho e macarrão instantâneo. O fenômeno reflete um mercado de bem-estar que deve saltar de US$ 5,48 trilhões em 2022 para cerca de US$ 10 trilhões em 2029, segundo o Global Wellness Institute. É dinheiro de sobra para justificar investimento em novos produtos, mas também um alerta sobre informação exagerada no rótulo.

O que está movendo esse mercado

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem original, o crescimento não é um fenômeno isolado do Brasil: é global e está ligado a uma mudança de comportamento do consumidor, que passou a se preocupar mais com o corpo, com a alimentação e com a prática de exercícios. Isso abriu espaço para que a indústria alimentícia incorporasse proteína a produtos industrializados sempre que a regulamentação da categoria permitir, driblando o desafio técnico de manter sabor e textura agradáveis mesmo com mais proteína na fórmula.

O consumo também mudou de hábito: não existe mais um "momento certo" para ingerir proteína. Ela está na fila do supermercado, na mesa de trabalho, na academia. Esse comportamento contínuo criou uma demanda constante por itens práticos, como barrinhas e bebidas proteicas, empurrando empresas a destacar a quantidade de gramas de proteína na embalagem como diferencial de venda, muitas vezes mais como estratégia de marketing do que como orientação nutricional.

O peso da proteína no rótulo
5gmínimo para "fonte de proteína"por porção de referência, segundo regra da Anvisa.
10gmínimo para "alto conteúdo"por porção de referência, categoria mais valorizada no marketing.
0,8g/kgreferência diária por adultoparâmetro geral, não é prescrição individual.

Quem precisa ficar atento

Para empresários do setor alimentício, de suplementos ou de academias, o recado é duplo. De um lado, há oportunidade real de negócio: o público que compra esse tipo de produto é cada vez mais amplo e heterogêneo, incluindo iniciantes em atividade física que antes não eram o alvo principal do whey protein e de itens proteicos. De outro, cresce também a cobrança por transparência: consumidores e entidades de saúde já questionam se o apelo proteico corresponde a um benefício real ou é apenas um gatilho comercial.

Vale lembrar que, segundo a presidente do Conselho Federal de Nutrição, praticar atividade física para manter a saúde não exige, por si só, suplementação proteica. Uma alimentação equilibrada, baseada em alimentos in natura e minimamente processados, já costuma suprir as necessidades do corpo. Isso significa que negócios que basearem toda a comunicação apenas no "quanto mais proteína, melhor" podem enfrentar questionamentos técnicos e até reputacionais no médio prazo, especialmente à medida que o consumidor se informa mais.

Há também um ponto de atenção sanitário que interessa a quem vende ou distribui esses produtos: o excesso de proteína não melhora desempenho nem traz benefício adicional de saúde, podendo até ser prejudicial dependendo da quantidade, do tempo de uso e de condições clínicas da pessoa, como problemas renais ou hepáticos. Isso reforça a importância de orientação profissional antes de qualquer suplementação contínua, algo que pode (e talvez deva) aparecer na comunicação de marcas que queiram se posicionar com responsabilidade.

Para quem lidera negócios nesse setor, o cenário pede equilíbrio entre aproveitar um mercado em expansão e evitar promessas que não se sustentam tecnicamente. Produtos bem formulados, com informação nutricional clara e sem exageros, tendem a construir confiança de longo prazo com o consumidor, algo mais valioso do que uma venda pontual baseada apenas em uma etiqueta chamativa. Acompanhar esse movimento de perto, inclusive do ponto de vista regulatório, pode ser decisivo para quem quer crescer de forma sólida nesse mercado que não para de se expandir.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.