Mercado de Cerveja Se Rende À Proteína, e Ambev Sai na Frente

A Ambev colocou nas prateleiras de São Paulo e Rio de Janeiro, além do Zé Delivery, a Spaten Pro: uma cerveja escura sem álcool, do estilo alemão Munich Dunkel, com 10 gramas de proteína por lata de 350 ml e preço sugerido entre R$ 10 e R$ 13. O produto é o resultado de cinco anos de estudo e mais de 100 protótipos desenvolvidos no Centro de Inovação e Tecnologia da companhia, no Rio de Janeiro, e é tratado internamente como a primeira cerveja com proteína de toda a AB InBev, controladora da Ambev, em qualquer mercado do mundo. A produção está concentrada por enquanto em uma única fábrica, em Ribeirão Preto, o que mostra que a companhia ainda está testando a reação do consumidor antes de expandir a escala.
O lançamento não é um movimento isolado. Ele nasce do encontro de duas mudanças de comportamento que já aparecem nos números do varejo brasileiro: o brasileiro está comprando mais proteína em qualquer formato e bebendo menos álcool. Para quem administra um negócio, seja um bar, um restaurante, um mercado ou uma distribuidora de bebidas, entender essas duas curvas ajuda a antecipar o que vai estar na prateleira e no cardápio nos próximos anos.
O que muda
A proteína deixou de ser assunto de suplemento e academia e passou a disputar espaço em categorias do dia a dia. Levantamento da consultoria McKinsey, feito a partir de bilhões de tíquetes de compra no varejo alimentar, mostra que entre janeiro e outubro de 2025 as vendas de whey protein cresceram 124% em volume no país, as de creatina avançaram 89% e o iogurte proteico subiu 16%. Nos atacarejos, os suplementos esportivos tiveram alta de 141%. É esse apetite que a Ambev está tentando levar também para dentro da lata de cerveja, apostando que o consumidor quer manter o hábito de socializar sem abrir mão do controle sobre o que ingere.
O outro lado da equação é a queda no consumo de bebida alcoólica. Pesquisa Ipsos-Ipec encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool mostrou que 64% dos brasileiros declararam não consumir álcool em 2025, contra 55% em 2023. Entre jovens de 18 a 24 anos, a abstinência saltou de 46% para 64%, e na faixa de 25 a 34 anos, de 47% para 61%. Esse recuo já aparece na produção: o Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura, aponta queda de 8,85% no volume de cerveja produzida no Brasil em 2025, para 15,69 bilhões de litros.
Quem é afetado
Enquanto o mercado tradicional de cerveja encolhe, os nichos ligados a saúde e equilíbrio crescem em ritmo de dois dígitos, e é aí que bares, restaurantes e pontos de venda precisam ficar atentos. As cervejas sem álcool ou desalcoolizadas ainda representam só 1,27% do volume total produzido, mas o crescimento das cervejas sem glúten foi de 417,7% no último ano, saltando de 71,1 milhões para 367,9 milhões de litros. Dentro do próprio portfólio da Ambev, o conjunto de rótulos sem álcool, com menos calorias e sem glúten cresceu mais de 70%, com destaque para a Stella Artois Pure Gold (+160%) e a Michelob Ultra (+180%).
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| Whey protein (volume, jan a out Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal. |



