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23/07/2026 05:00· 4 min de leitura· Curiosidades
Atualizado há 2 horas

Com Quase US$ 6 Bilhões, Fundos Colocam O Brasil No Centro Do Agro Sustentável

Com Quase US$ 6 Bilhões, Fundos Colocam O Brasil No Centro Do Agro Sustentável
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Brasil está no centro das atenções de investidores internacionais que buscam financiar projetos de agricultura sustentável. Ao contrário do que boa parte do debate público sugere, o país é visto por especialistas em finanças verdes como um dos ambientes mais preparados do mundo para receber esse tipo de capital, graças a uma legislação ambiental considerada rigorosa e a mecanismos de controle que poucos concorrentes agrícolas possuem. Para quem está à frente de um negócio rural ou de uma empresa ligada ao agronegócio, entender esse movimento pode ser o primeiro passo para acessar linhas de financiamento que hoje ainda são pouco exploradas.

Segundo Daniela Mariuzzo, engenheira de alimentos e consultora com quase duas décadas de atuação junto a organismos multilaterais e fundos internacionais, o volume de recursos disponíveis para agricultura regenerativa, restauração de áreas degradadas e produção de baixo carbono já soma cifras expressivas. Somente entre fundos privados, o total gira em torno de US$ 2 bilhões, sem contar a recente ampliação de US$ 4 bilhões anunciada pelo Fundo Verde para o Clima, iniciativa que reforça a capacidade global de financiamento climático.

Quem está de olho no agro brasileiro

Diversos fundos internacionais já têm o Brasil no radar como destino estratégico para projetos ligados à sustentabilidade no campo. Eles miram principalmente iniciativas de recuperação de pastagens, sistemas integrados de produção, bioeconomia e restauração florestal, áreas em que o país acumula experiência prática e potencial de expansão.

FundoOrigemRecursos disponíveis
&Green FundHolandaAproximadamente US$ 400 milhões
AGRI3 FundHolandaMeta de US$ 1 bilhão
Mirova Sustainable Land FundFrançaCerca de US$ 399 milhões
Growth Next-Generation AgricultureBrasilEstimado em US$ 50 milhões
responsAbility (estratégia América Latina)InternacionalMais de US$ 110 milhões

A esses valores soma-se, ainda, o anúncio de intenção de aporte de até 600 mil libras (cerca de R$ 4,1 milhões na cotação atual) do fundo do governo britânico para ampliar o Reg.IA, primeiro consórcio de agricultura regenerativa da América Latina, apresentado durante evento da Produzindo Certo em São Paulo.

Por que o Brasil chama atenção

Na visão de Daniela, o que diferencia o Brasil de outros grandes produtores agrícolas é a combinação de escala, tecnologia e controle ambiental. Ela destaca que o país é o único do mundo a contar com o Cadastro Ambiental Rural, ferramenta que permite acompanhar, quase em tempo real, a situação ambiental de cada propriedade rural. Some-se a isso o Código Florestal, que obriga a manutenção de vegetação nativa dentro das próprias propriedades privadas, um modelo que não tem equivalente em outros mercados agrícolas relevantes.

Essa estrutura, segundo a especialista, reduz o risco percebido pelos investidores e explica por que o Brasil consegue competir por recursos que, até pouco tempo atrás, se concentravam em países com menor escala de produção. O período de maior abundância de capital vindo de nações do hemisfério Norte para regiões tropicais, entre 2006 e 2016, deu lugar a uma nova fase, em que o dinheiro privado passou a enxergar retorno financeiro real na transição para uma agricultura de baixo carbono, e não apenas motivação ambiental ou doações.

O que falta para captar esse dinheiro

Apesar do cenário favorável, existe um gargalo que impede boa parte das propriedades e empresas do agro de acessar esses recursos: a falta de projetos estruturados com dados confiáveis. Segundo Daniela, o capital está disponível e o interesse dos investidores é real, mas eles exigem métricas padronizadas, governança clara e monitoramento constante de resultados, elementos que ainda são escassos em grande parte do setor.

Isso significa que não basta afirmar que uma operação é sustentável. É necessário comprovar isso com números que dialoguem com os critérios usados por fundos internacionais, capazes de demonstrar aos cotistas desses fundos que o investimento gera impacto ambiental mensurável, além de retorno financeiro. Ferramentas como o capital catalítico e o blended finance, que combinam recursos públicos e privados para reduzir riscos, também fazem parte dessa engrenagem e tendem a crescer como caminho para viabilizar projetos que ainda não têm acesso fácil ao crédito tradicional.

Para o gestor rural ou empresário do agronegócio, o recado prático é claro: organizar informações sobre uso do solo, manejo ambiental, indicadores de produtividade e conformidade com o Cadastro Ambiental Rural deixou de ser apenas uma exigência legal e passou a ser um diferencial competitivo na hora de buscar financiamento. Contar com assessoria contábil e de gestão preparada para transformar práticas sustentáveis em relatórios e indicadores confiáveis pode ser o que separa uma propriedade do acesso a linhas de crédito internacionais

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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