Licitações de cannabis medicinal: como uma empresa brasileira mira R$ 100 milhões
16/10/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você empreende na área da saúde, farmacêutica ou já de olho no mercado de cannabis medicinal, vale acompanhar um movimento que está ganhando força no Brasil: as compras públicas de medicamentos à base de canabidiol. Um caso recente mostra como empresas que investem em produção nacional e regularização junto à Anvisa podem transformar esse cenário em crescimento real de receita, inclusive vendendo diretamente para governos estaduais e municipais.
A FarmaUSA, empresa sediada em São Paulo, é um exemplo prático dessa transição. Fundada em 2004 nos Estados Unidos para viabilizar a importação de medicamentos sem registro no Brasil, a empresa mudou completamente de modelo nos últimos anos: hoje fabrica no país, disputa licitações públicas e já fatura dezenas de milhões de reais por ano. Recentemente, venceu uma licitação do governo de São Paulo para fornecer 43 mil frascos de medicamentos à base de cannabis, em um contrato estimado em R$ 7 milhões.
O que muda para quem empreende no setor
O principal sinal desse caso é que o mercado de cannabis medicinal no Brasil está deixando de depender só da importação e de vendas diretas ao paciente. Com o registro da fábrica aprovado pela Anvisa, a empresa passou a disputar editais públicos, o que abre um canal de receita mais estável e previsível: hoje, além da vitória inicial, há outros 112 processos de licitação e registros de preços em andamento, somando um valor estimado de R$ 16 milhões em contratos já conquistados.
Esse movimento importa para qualquer empresário do setor de saúde porque mostra que a validação regulatória virou um diferencial competitivo real. Ter o selo da Anvisa não só permite vender para o poder público no Brasil, como também abre portas internacionais: a empresa já recebe interesse de potenciais compradores na Espanha e na Itália, países que, segundo o executivo à frente do negócio, enxergam o modelo regulatório brasileiro como referência.
Por que a produção nacional faz diferença
Um ponto central para quem pensa em investir ou se associar a esse mercado é a diferença entre importar o produto pronto e produzir no país. A FarmaUSA investiu R$ 46,2 milhões, desde 2021, para montar uma indústria farmacêutica em São Paulo, capaz de produzir mais de 1 milhão de frascos por mês. Hoje, porém, a produção está longe desse teto, porque o consumo total do mercado brasileiro de cannabis ainda não chega a 100 mil unidades por mês, incluindo a demanda de outras concorrentes do setor.
Isso revela um ponto prático importante: ter capacidade industrial instalada não significa ter demanda garantida. Por isso, a estratégia da empresa passa por diversificar canais: além das licitações públicas, ela busca espaço em grandes redes de farmácias, como Pague Menos, Araújo, Venâncio e Raia Drogasil, e também avalia exportar o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para empresas de outros países que já tenham estrutura para fabricar produtos finais. Atualmente, o extrato ainda é importado dos Estados Unidos, com etapas de purificação feitas no Brasil, mas há uma parceria em andamento com uma empresa de Pernambuco para viabilizar, em dois a três anos, o cultivo e extração totalmente nacionais.
O que isso sinaliza para o seu negócio
Se você atua no setor de saúde, farmácia ou tem interesse em cannabis medicinal, o recado prático é que o ambiente regulatório está amadurecendo rápido: novas resoluções avançaram em 2026 sobre as condições de cultivo para fins medicinais e de pesquisa, o que deve ampliar a produção nacional e, consequentemente, a concorrência e as oportunidades de parceria no setor. Empresas que já têm registro na Anvisa e histórico de vendas regulares ganham vantagem competitiva tanto nas licitações públicas quanto na negociação com grandes redes varejistas.
Vale observar também que esse crescimento não acontece da noite para o dia: foram necessários cerca de cinco anos para obter as licenças de fabricação, e as vendas dos produtos fabricados no Brasil só começaram efetivamente em dezembro de 2025. Para quem avalia entrar nesse mercado, o case reforça que paciência regulatória e investimento de longo prazo tendem a ser decisivos para capturar a expansão que se desenha pela frente, com a meta da empresa de sair de um faturamento de R$ 57 milhões em 2025 para R$ 100 milhões a partir de 2028.
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