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Juros altos: por que 6 em cada 10 PMEs dizem que isso trava o crescimento

15/10/2026 16:153 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você sente que o custo do crédito está pesando mais no seu negócio, não é impressão sua. Uma pesquisa recente ouviu 410 empresários e gestores de pequenas e médias empresas em todo o país e constatou que 59% deles apontam os juros elevados como principal barreira para crescer. O número chama atenção porque subiu dez pontos em relação ao levantamento anterior, quando estava em 49%.

O levantamento, feito em agosto e divulgado em setembro, foi conduzido por questionário online e não incluiu microempreendedores individuais (MEIs) na amostra. Ou seja, o retrato é especificamente de pequenas e médias empresas, que costumam ter estrutura maior e, por isso, dependem mais de crédito para capital de giro, investimentos e expansão.

O que mais preocupa os gestores

Os juros altos lideram a lista de dificuldades, mas não estão sozinhos. Logo atrás aparecem os custos com mão de obra, citados por 44% dos participantes. Em seguida, com 31% cada, estão três fatores que caminham juntos no dia a dia de muitos negócios: demanda fraca, falta de capital de giro e concorrência elevada.

Principais obstáculos apontados pelas PMEs
59%juros altosalta de 10 pontos em relação à pesquisa anterior.
44%custos com mão de obrasegundo fator mais citado pelos gestores.
31%demanda, capital de giro e concorrênciacada um desses três fatores recebeu essa proporção de citações.

Esse conjunto de respostas ajuda a entender por que muitos empresários adiam decisões importantes, como contratar, investir em equipamentos ou ampliar estoque. Quando o crédito está caro e a demanda não reage, o caminho mais seguro costuma ser segurar o pé no freio, mesmo que isso signifique abrir mão de oportunidades de crescimento.

O desempenho das PMEs segue avançando, mas devagar

Enquanto a percepção sobre dificuldades piora, outro indicador que acompanha a movimentação financeira das PMEs mostra um cenário de crescimento real, porém discreto. Em agosto, o avanço foi de 1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Entre os setores, o comércio teve a melhor performance, com alta de 1,3%, seguido pela indústria, com 0,8%, e por serviços, com 0,2%. Já o setor de infraestrutura registrou queda de 2,2% no período.

No acumulado do ano até agosto, o resultado é mais animador: expansão real de 2,9%. Isso indica que, apesar das dificuldades relatadas pelos empresários, o conjunto das pequenas e médias empresas ainda consegue crescer, ainda que em ritmo mais lento do que o desejável.

É importante entender que essas duas pesquisas medem coisas diferentes. Uma capta a opinião e a percepção de quem está à frente do negócio sobre os obstáculos enfrentados. A outra acompanha números concretos de movimentação financeira. Juntas, elas ajudam a montar um retrato mais completo do ambiente de negócios, mas não permitem concluir, isoladamente, o quanto os juros altos de fato impactaram o resultado financeiro das empresas.

Na prática, para você que gerencia uma PME, esses dados reforçam a importância de planejar o fluxo de caixa com cautela, negociar condições de crédito com antecedência e avaliar com cuidado qualquer decisão que dependa de financiamento. Também vale acompanhar de perto o desempenho do seu setor específico, já que a variação entre comércio, indústria, serviços e infraestrutura mostra que o cenário não é uniforme para todos os segmentos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.