Juros altos no Brasil: as duas apostas em disputa e o que muda para sua empresa
25/08/2026 17:023 min de leituraAtualizado há 8 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Os juros de longo prazo cobrados do governo brasileiro estão em patamar elevado, e isso tem efeito direto no bolso de quem administra uma empresa: quando o Tesouro paga caro para se financiar, o crédito também fica mais caro para negócios de todos os portes. Esse cenário virou tema central da disputa eleitoral, com as campanhas dos dois principais candidatos à Presidência defendendo soluções opostas para o problema.
Atualmente, o Brasil paga cerca de 7,5% de juros reais em títulos públicos com vencimento em 2045. Esse número é um termômetro de quanto os investidores desconfiam da capacidade do país de equilibrar as contas no longo prazo. Quanto maior essa desconfiança, maior o prêmio exigido para emprestar dinheiro ao governo, e esse custo acaba se espalhando para financiamentos, linhas de crédito e investimentos do setor privado.
O que muda com cada proposta
Do lado da campanha de reeleição de Lula, o coordenador do programa, José Sérgio Gabrielli, defendeu que o Tesouro faça recompras de títulos públicos para tentar segurar os juros de longo prazo, uma estratégia parecida com a que o Tesouro americano usou recentemente. Gabrielli também criticou quem defende cortes urgentes de gastos como saída para a crise fiscal, argumentando que esse discurso exagera a gravidade da situação do país.
Já a equipe econômica de Flávio Bolsonaro, reforçada pela chegada do ex-ministro Adolfo Sachsida, defende o caminho oposto: cortar gastos públicos seria a única forma sustentável de reduzir os juros no longo prazo. Sachsida classificou a proposta de recompra de títulos como uma tentativa artificial de mascarar o problema, alertando que colocar mais liquidez na economia tende a pressionar a inflação e, na sequência, os próprios juros.
Campanha de Lula
- Defende recompra de títulos públicos pelo Tesouro
- Objetivo: conter diretamente os juros de longo prazo
- Crítica a discursos que pedem corte urgente de gastos
Campanha de Flávio Bolsonaro
- Defende corte de gastos públicos como solução
- Considera recompra de títulos uma medida artificial
- Alerta que mais liquidez pode elevar inflação e juros
Por que isso importa para o seu negócio
O pano de fundo dessa disputa é o crescimento da dívida pública bruta, que já soma 81,9% do PIB, mais de 10 pontos percentuais acima do patamar registrado quando Lula assumiu o atual mandato, em 2023. Esse avanço da dívida é puxado principalmente pelo peso dos juros, o que reforça a preocupação de analistas e investidores com a saúde fiscal do país. As reações do mercado às pesquisas eleitorais indicam, inclusive, uma preferência pelo programa econômico de Bolsonaro, ainda que exista ceticismo generalizado sobre a capacidade de qualquer um dos dois candidatos controlar as contas públicas.
Vale lembrar que recompras de títulos não são uma ferramenta usada rotineiramente pelo Tesouro. A mais recente aconteceu em março, em meio à tensão entre EUA, Israel e Irã, e teve caráter excepcional. Segundo autoridades do próprio Tesouro, esse tipo de intervenção só é acionado depois de esgotadas outras medidas, como reduzir a oferta de títulos nos leilões ou até cancelar leilões, sendo a recompra o último recurso em situações de forte volatilidade.
Para você, empresário, o desdobramento prático dessa discussão é o custo do crédito. Juros de longo prazo elevados tendem a puxar para cima as taxas de financiamento, empréstimos e linhas de capital de giro oferecidas pelos bancos, além de influenciar o câmbio e a inflação. Enquanto o cenário eleitoral não se define, é recomendável manter um planejamento financeiro conservador, evitar endividamento de longo prazo em condições desfavoráveis e acompanhar de perto as sinalizações do mercado sobre a política fiscal do próximo governo, já que qualquer mudança de rumo pode impactar diretamente o custo de capital da sua empresa nos próximos anos.
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