Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
A JBS fechou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 102 milhões (R$ 521 milhões), revertendo o lucro de US$ 528 milhões do mesmo período de 2025. É o primeiro resultado negativo da companhia desde 2023, encerrando uma sequência de 11 trimestres seguidos no azul. O dado chama atenção porque veio junto com receita recorde: US$ 23,9 bilhões, alta de 14% na comparação anual. Ou seja, a empresa vendeu mais, mas ganhou menos, e esse descompasso entre faturamento e rentabilidade é o retrato central do trimestre.
Para quem administra um negócio, o caso da JBS serve de alerta prático: crescer em receita não garante lucro se as margens encolherem e as despesas extraordinárias pesarem no resultado final. O EBITDA ajustado pelo padrão IFRS somou US$ 1,429 bilhão, queda de 18% frente ao ano anterior, com a margem recuando de 8,4% para 6%. Boa parte da diferença entre o resultado operacional e o prejuízo contábil veio de itens pontuais: custos com recompra de bonds e Certificados de Recebíveis do Agronegócio, acordos antitruste e ajustes contábeis ligados à compra da Mantiqueira Alimentos. Sem esses efeitos, a companhia teria registrado lucro líquido ajustado de US$ 218 milhões.
O que explica o resultado negativo
O principal ponto de pressão veio dos Estados Unidos, especialmente na carne bovina. A oferta restrita de gado e os preços elevados do animal reduziram os spreads da indústria, e a JBS Beef North America, apesar de vendas recordes, manteve EBITDA negativo. A entrada de bovinos vivos do México, que ajudaria a aliviar a falta de matéria-prima, seguiu limitada no período, com retomada gradual prevista apenas a partir de 24 de agosto. Diante desse cenário, a empresa decidiu fechar duas unidades nos Estados Unidos e reorganizar as operações de carne bovina no país sob uma nova estrutura chamada Beef USA.
As divisões de aves e suínos também sentiram o impacto. A Pilgrim's Pride teve queda de 38,5% no EBITDA ajustado, refletindo a comparação com uma base muito forte no ano anterior e preços menores das commodities de frango nos Estados Unidos. Já a JBS USA Pork viu o EBITDA recuar 54%, com a demanda doméstica por carne suína pressionada pela inflação sobre o consumidor americano. Esses números mostram como fatores externos, como custo de insumos e poder de compra do consumidor, podem apertar a rentabilidade mesmo de empresas com escala global.
O Brasil na direção contrária
Enquanto as operações americanas sofriam, as divisões brasileiras seguiram em trajetória de melhora. A JBS Brasil registrou receita de US$ 4,585 bilhões, alta de 28% e o maior faturamento já contabilizado pela unidade em um segundo trimestre, com EBITDA ajustado crescendo 17,8%. O resultado ocorreu mesmo com o preço médio do boi 12% mais alto que no ano anterior, sustentado por exportações mais fortes, incluindo vendas para a China, e por maior volume e preço da carne bovina no mercado interno. A Seara também cresceu em receita, com destaque para exportações de aves in natura ao Oriente Médio e ampliação da linha de industrializados no Brasil.
| Unidade | Receita 2T26 | Variação | EBITDA ajustado | Margem |
|---|---|---|---|---|
| Beef North America (EUA) | US$ 7,77 bi | +14,2% | US$ -78,3 mi | negativa |
| Pilgrim's Pride | US$ 4,62 bi | -2,8% | US$ 503 mi | 10,9% |
| JBS USA Pork | US$ 2,08 bi | estável | US$ 116,7 mi | 5,6% |
| JBS Brasil | US$ 4,59 bi | +28% | US$ 269,2 mi | 5,9% |
| Seara | US$ 2,56 bi | +18,2% | US$ 380,4 mi | 14,9% |
| JBS Austrália | US$ 2,57 bi | +30% | US$ 230,7 mi | 9% |
Vale notar que o desempenho positivo do Brasil não veio sem custo: o preço mais alto do boi também pressionou a margem da divisão nacional, que subiu em valor absoluto de EBITDA, mas ainda opera com margem apertada, de 5,9%. É um lembrete de que crescimento de receita puxado por preço de commodity precisa ser acompanhado de perto na gestão de custos, algo que vale para qualquer empresário que dependa de insumos agropecuários na sua cadeia produtiva.
Caixa mais forte, mas endividamento em alta
Um ponto que merece atenção de qualquer gestor é a combinação entre geração de caixa e nível de endividamento. A JBS melhorou seu fluxo de caixa livre, que passou de consumo de US$ 55 milhões no ano anterior para geração positiva de US$ 130 milhões, principalmente por ganhos no capital de giro,
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