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Itaú revisa projeções: menos crescimento e mais inflação para 2026 e 2027

27/09/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Itaú atualizou suas projeções para a economia brasileira e trouxe um recado que merece atenção de quem administra um negócio: o país deve crescer menos do que se esperava, e a inflação deve continuar dando trabalho. O banco reduziu a estimativa de crescimento do PIB para este ano e para o próximo, e ao mesmo tempo piorou a previsão de inflação para 2027. É uma combinação incômoda, porque normalmente quando a economia desacelera a inflação também recua. Neste caso, não é isso que está no radar.

O que muda nas contas do Itaú

Para este ano, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,9% para 1,7%. Para 2027, a queda foi maior: de 1,5% para 1,2%. O banco explica que setores importantes, como serviços e indústria de transformação, vêm performando pior do que o esperado, e que os dados mais recentes mostram uma desaceleração mais forte do que a prevista até então. Isso significa menos força de consumo, menos crédito circulando e um ambiente mais apertado para quem depende de vendas internas para fazer o caixa girar.

O mercado de trabalho também deve sentir esse ritmo mais lento. O Itaú manteve a previsão de desemprego em 5,7% no fim deste ano, mas elevou a estimativa para 6,2% no fim de 2027. Para negócios que dependem de contratação ou que vendem para o consumidor final, isso é um sinal de que o poder de compra das famílias pode ficar mais pressionado adiante.

Por que a inflação preocupa mesmo com a economia mais fraca

A previsão de inflação (IPCA) para este ano ficou estável, em 5,1%. Mas para 2027 o banco elevou a estimativa de 4,4% para 4,6%. A explicação está em dois pontos práticos: de um lado, alimentos e serviços já mostram sinais de reaceleração de preços, com fatores como o El Niño pressionando frutas, verduras e legumes, além do aumento da demanda por proteínas ligado à retomada das exportações para a China. De outro, existe o fim das subvenções ao diesel, que tende a pressionar os preços de combustíveis em 2026 e repassar esse efeito para 2027.

Na prática, isso quer dizer que custos de logística, transporte e insumos agrícolas podem continuar em alta, afetando margens de negócios em diversos setores, da indústria ao varejo de alimentos.

Projeções do Itaú x governo x mercado (Focus)
1,2%PIB 2027 (Itaú)Governo prevê 2,3% e o mercado (Focus) espera 1,43%.
4,6%Inflação 2027 (Itaú)Governo prevê 3,8% e o mercado (Focus) espera 4,30%.
12,50%Selic fim de 2027 (Itaú)Mercado (Focus) projeta juros um pouco menores, em 12%.

O que isso significa para os juros

O Itaú prevê que o Banco Central pare de cortar a Selic neste ano, mantendo a taxa em 13,75%. Mesmo com a atividade mais fraca e alguns dados de inflação mais favoráveis no curto prazo, o banco entende que o câmbio e os riscos de preços em 2027 recomendam cautela antes de retomar os cortes. Para 2027, a expectativa é de volta aos cortes, com a Selic chegando a 12,50%, um nível ainda mais alto do que o esperado pela mediana do mercado.

Para quem toma crédito para capital de giro, investimento ou expansão, esse cenário reforça a ideia de que os juros devem continuar altos por mais tempo do que se imaginava, o que encarece o financiamento e pede mais cautela em decisões de endividamento.

O cenário externo também pesa

No exterior, o quadro é misto. A economia americana continua sendo sustentada por investimentos em inteligência artificial, e a China mantém suporte via exportações. Mas a guerra no Oriente Médio, que já dura mais do que o esperado, mantém a pressão sobre os preços do petróleo no curto prazo, mesmo com a expectativa de recuo até o fim deste ano e de 2027. Isso levou o Itaú a prever mais aumentos de juros nos Estados Unidos e na Europa, o que tende a manter o dólar e o custo de crédito internacional pressionados, afetando também empresas brasileiras que dependem de insumos importados ou de operações em moeda estrangeira.

Para o seu negócio, o recado prático é de cautela: espere um ambiente de consumo mais fraco, custos ainda pressionados por inflação de alimentos e combustíveis, e juros que devem permanecer elevados por mais tempo do que o mercado em geral está projetando. Vale revisar o planejamento financeiro considerando esse cenário mais conservador, evitar endividamento desnecessário e ficar atento aos próximos indicadores, já que o próprio Itaú reconhece que a trajetória pode mudar dependendo do comportamento do câmbio e das expectativas de inflação nos próximos meses.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.