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Investir em commodities agrícolas: como funciona e quais são os riscos

03/11/2026 04:584 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Se você acompanha o mercado financeiro ou tem negócios ligados ao agronegócio, vale entender um movimento recente que serve de alerta: os contratos futuros de milho e trigo subiram com força em agosto e setembro, mas caíram rapidamente em outubro. Esse vaivém mostra, na prática, por que investir em commodities agrícolas exige cautela, ainda que muita gente recorra a esse tipo de ativo para se proteger da inflação e diversificar investimentos.

O movimento de alta neste ano foi mais forte que o normal. Segundo dados do setor, os contratos de milho com vencimento em dezembro subiram 16,8% em agosto, e os de trigo avançaram 18,3%, um salto bem maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Fatores como custo mais alto do diesel para os agricultores, dificuldades no comércio e expectativa de safra menor por causa do clima explicam essa valorização. Mas o cenário mudou em outubro: a colheita de milho veio maior do que o esperado e a demanda externa por trigo enfraqueceu, derrubando os preços.

Quais são as formas de investir no agronegócio

Para quem quer ganhar exposição a esse mercado sem comprar sacas de grão, existem caminhos diferentes, com níveis de risco e complexidade distintos. Os ETFs de ações agrícolas e as ações de empresas do setor são opções mais acessíveis, mas funcionam como qualquer ação: o preço varia conforme a demanda dos investidores, não só pelo valor dos grãos. Já os fundos imobiliários voltados a terras rurais costumam ter oscilações mais intensas e exigem conhecimento específico sobre valor de terras e contratos de arrendamento. Os contratos futuros, negociados diretamente ou via ETF, são o caminho mais arriscado e mais técnico, recomendado apenas para quem já tem familiaridade com esse tipo de operação.

Para a maioria das pessoas físicas, o caminho mais indicado continua sendo investir em ETFs de ações ou em papéis de empresas do agronegócio, pelo menos até entender melhor como esses mercados funcionam na prática.

Mais acessível

  • ETFs de ações agrícolas
  • Ações de empresas do setor (Deere, Nutrien, Vylor)
  • Oscilam como ações comuns

Mais arriscado

  • Fundos imobiliários de terras rurais
  • Contratos futuros diretos ou via ETF
  • Exigem conhecimento técnico do mercado de safras

Entre os fundos que investem em ações do agronegócio, três se destacam: um aplica em empresas ligadas a máquinas e serviços agrícolas com forte presença de companhias americanas, outro replica um índice global do setor com concentração maior em uma única empresa de maquinário, e um terceiro atua diretamente no mercado futuro, com posições em mais de dez produtos agropecuários, como gado, soja, milho e trigo. Esse último é voltado a quem quer exposição aos futuros sem precisar operar a rolagem dos contratos manualmente.

Outra forma de participar do setor é por meio de ações de empresas que atendem diretamente o produtor rural. Uma fabricante de máquinas agrícolas oferece exposição indireta às safras: quando os preços dos grãos sobem, suas vendas tendem a crescer e os lucros podem se ampliar; quando o campo desacelera, o desempenho pode ficar abaixo do das próprias commodities. Já uma empresa de fertilizantes tem demanda mais estável, já que os produtores compram adubo de forma recorrente, independentemente de ciclos de troca de equipamentos. Uma terceira companhia, especializada em sementes geneticamente modificadas protegidas por patente, obriga os agricultores a comprarem sementes novas todo ano, o que ajuda a suavizar as oscilações de receita mesmo em períodos de preços mais baixos.

Os riscos que você precisa considerar

Commodities agrícolas têm volatilidade estrutural: ao contrário de ações e títulos de renda fixa, elas não têm lucro corporativo ou rendimento contratual por trás do preço, o que torna as oscilações mais bruscas e imprevisíveis. Entre os fatores que pesam nessa conta estão decisões de política governamental e comercial, como tarifas e barreiras sanitárias, que podem afetar diretamente os preços de exportação e importação dos produtos agrícolas.

Na prática, para você que é empresário ou gestor e avalia diversificar reservas ou proteger o caixa da empresa contra a inflação, o recado é claro: commodities agrícolas podem fazer sentido como parte de uma estratégia mais ampla, mas pedem tolerância a oscilações fortes e, de preferência, começar pelos instrumentos mais simples, como ETFs de ações do setor, antes de considerar operações mais complexas como contratos futuros.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.